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mai 13 2008

A origem do termo Kamikaze [神風], o vento divino

Publicado por Rafael em história, japão, mitologia

http://www.wrecksite.eu/img/wrecks/kublai_khan_battle.jpg

Em 1268, com a destruição da Coréia e com uma grande parte da China Song conquistada, o chefe mongol Kublai Kan (1215-1294) enviou embaixadas ao Japão para submeter “o rei do Japão”. A corte de Kyoto e o governo de guerreiros em Kamakura ignoraram estas intenções do chefe mongol e eles próprios se prepararam para uma invasão. Os vassalos dos samurais do bakufu (quartel general) de Kamakura ficaram em estado de alerta. Os templos e os santuários ofereceram as suas preces em proteção da nação.

Em novembro de 1274, uma armada de 900 barcos transportando mais de 44 mil soldados e marinheiros, incluindo mongóis, tártaros, chineses e coreanos, partiu do sul da Coréia. Depois de devastar Tsushima, aportou na baía de Hakata.

Após terem forçado os guerreiros japoneses a retirarem-se, os mongóis voltaram para os seus barcos. Durante a noite foram fustigados por um terrível vendaval que afundou muitos barcos e dispersou a armada. Em 1275 e 1279, Kublai procedeu a novas tentativas. Os regentes de Hojo recusaram-se a receber os seus enviados e ordenaram a construção de postos de defesa no contorno da baía de Hakata, a construção de barcos de defesa para fazer frente aos barcos mongóis e a mobilização de vassalos e não vassalos.

Com a queda da dinastia Song em 1279, Kublai encontrava-se livre para dedicar-se à conquista do Japão. Em 1281, iniciou a formação de uma grande armada composta por duas frotas. No princípio de junho, 4.400 barcos de guerra transportando 140.000 homens lançaram-se ao mar, partindo simultaneamente da Coréia e do rio Yangzi. Enquanto a armada do sul se atrasou várias semanas, a armada que vinha do leste chegou a Hakata, em 23 de junho e travou várias batalhas com os barcos japoneses. Em 16 de agosto, a armada foi destruída por um tufão, que acabou com a metade dos barcos e dizimou grande parte dos homens. Os japoneses atribuíram estes dois acontecimentos milagrosos a “ventos divinos” (kamikaze). Tal fato contribuiu para a crença de que o Japão era uma terra protegida pelo divino (shinkoku). Sem despojos como prêmio dos seus esforços, muitos samurais mostraram-se descontentes. Kublai planejou uma terceira invasão, mas não a concretizou.


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mai 08 2008

Saquê [酒] | A bebida da prosperidade

http://flickr.com/photos/torek/377460029/

O saquê [酒] é uma bebida fermentada que vem desempenhando papel central na vida e na cultura japonesa nos últimos 2000 anos. Feita principalmente de arroz e fabricada a partir da utilização de fungos específicos (microorganismo chamado Koji, em japonês) e leveduras, possui teor alcoólico de aproximadamente 16%. Suas diversas variações podem ser apreciadas mornas ou frias, dependendo da época do ano.

O termo saquê, de acordo com os registros, era chamado pelos japoneses como sakaemizu [栄え水] (água da prosperidade). Com o passar dos anos, sakaemizu passou a ser chamado de Sakae [栄え] e posteriormente, sake/saquê.

A técnica primária da produção de saquê, chamada de kutikami [口噛み] consistia na sacarificação – a conversão do amido em açúcar – produzida a partir da enzima salivar das mulheres, que mastigavam os grãos de arroz aquecidos e depois os cuspiam em tachos, para só então iniciar o preparo da bebida. Este processo era restrito apenas às jovens virgens, pois acreditava-se que o saquê provinha da mulher pura, a representante dos deuses na terra.

Segundo famosa mitologia da cidade de Izumo (província de Tottori) chamada Yashiori no Sake [八入折の酒], existia uma serpente gigantesca de oito cabeças, Yamata no Orochi [八岐大蛇]. Todo ano ela vinha devorar uma das oito filhas de um casal de velhos. O deus Susanowo no Mikoto [須佐之男命] ao chegar ao reino de Izumo encontra o casal chorando porque o monstro viria buscar sua última filha. Susanowo se encanta com a moça e decide eliminar o monstro. Entraram em acordo e o guerreiro divino se disfarçou de camponês e aguardou o dia do sacrifício. Quando a serpente apareceu, Susanowo no Mikoto ofereceu 8 barris de saquê e um néctar como aperitivo. A serpente mergulhou as 8 cabeças nos barris, bebeu tudo e adormeceu embriagada no local. No mesmo instante, o deus tira o disfarce, identifica-se como Susanowo no Mikoto e corta todas as cabeças.

Beber saquê é um ritual milenar no país. Existem diversas razões além do paladar, sede ou disposição de se embriagar, para se apreciar a bebida. Tradicionalmente o saquê elimina as preocupações e prolonga a vida das pessoas. Costumeiramente a bebida é bastante consumida em grandes celebrações como no Ano Novo e nos casamentos xintoístas.

Fontes:

http://www.japansake.or.jp/sake/index.html

http://www.kwa.jp/mm/mbn_1/106.html

http://www.esake.com/Knowledge/Newsletter/SW/SW2005/sw2005_9.html

http://www.sempuku.co.jp/odoroki/kenkyu/nan-reki/index.html

http://www.e-sake.to/fukusima/rekisi.htm

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