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		<itunes:summary>A cultura japonesa ao seu alcance.</itunes:summary>
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		<title>Palestra sobre JET Programme</title>
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		<pubDate>Mon, 23 Nov 2009 19:15:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Haruna Koide</dc:creator>
				<category><![CDATA[atualidades]]></category>
		<category><![CDATA[japão]]></category>

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		<description><![CDATA[O JET Programme é a abreviatura do Programa Japonês de Intercâmbio e Ensino (The Japan Exchange and Teaching Programme) no qual jovens estrangeiros são convidados a atuar nas representações dos governos locais com o intuito de promover o enriquecimento do ensino das línguas estrangeiras, o intercâmbio cultural e a mútua compreensão entre as nações.


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<p>Conforme as informações do <a href="http://www.sp.br.emb-japan.go.jp/pt/cultura_jet.htm">Consulado Geral do Japão</a>:</p>
<p><strong>O </strong><strong>JET Programme é a abreviatura do Programa Japonês de Intercâmbio e Ensino (The Japan Exchange and Teaching Programme) no qual jovens estrangeiros são convidados a atuar nas representações dos governos locais com o intuito de promover o enriquecimento do ensino das línguas estrangeiras, o intercâmbio cultural e a mútua compreensão entre as nações.</strong></p>
<p>É um programa realizado pelas repartições públicas japonesas com o apoio dos Ministérios de Assuntos Internos e Comunicações (Soumusho), dos Negócios Estrangeiros (Gaimusho), da Educação, Cultura, Esporte, Ciência e Tecnologia (Monbukagakusho) e do Conselho das Autoridades Locais para Relações Internacionais (CLAIR).</p>
<p>Renovado anualmente, o JET Programme teve início em 1987. É um programa altamente reconhecido, não só pelo Japão como por vários países, como sendo um intercâmbio internacional de recursos humanos em grande escala; e há uma expectativa de que os japoneses que participam deste programa formem um network internacional com os participantes e que resultados positivos se multipliquem mundialmente.</p>
<p>São três as modalidades do programa:</p>
<p><em>1) CIR (Coordinator for International Relations) </em><br />
O coordenador de relações internacionais é responsável pelas atividades de internacionalização e atua em repartições do governo local ou em entidades correlatas (contratantes).<br />
O CIR brasileiro atua também no aconselhamento de crianças brasileiras em escolas japonesas e presta assistência a trabalhadores brasileiros residentes na região.<br />
<em><br />
2) SEA (Sports Exchange Advisor) </em><br />
O orientador esportivo ou treinador participa de atividades de internacionalização por meio do ensino de esportes específicos. Atua na secretaria regional de esporte.<br />
<em><br />
3) ALT (Assistant Language Teacher)</em><br />
O professor assistente de línguas atua na secretaria regional de educação ou em escolas públicas de nível fundamental e médio.<br />
(Obs.: Modalidade não disponível para o Brasil)</p>
<p>Como funcionário público especial, jovens estrangeiros são contratados para atuar no Japão como coordenadores de relações internacionais. A função consiste principalmente em realizar palestras, organizar eventos, atuar como tradutor e intérprete.</p>
<p><strong>Os requisitos básicos são:<br />
- nacionalidade brasileira;<br />
- formação universitária;<br />
- fluência na língua japonesa.</strong></p>
<p><strong>Confira a palestra explicativa que ocorrerá no dia 1 de dezembro (terça-feira) no Consulado Geral do Japão em São Paulo, a partir das 19 horas.<br />
As inscrições são gratuítas e para maiores informações, entrar em contato pelo cgjcultural4@arcstar.com.br ou (11) 3254-0100<br />
</strong></p>
<p>http://www.sp.br.emb-japan.go.jp/pt/cultura_jet.htm</p>
<p>http://www.jetprogramme.org/</p>


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		<title>Workshop de Comida Japonesa</title>
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		<pubDate>Thu, 19 Nov 2009 20:38:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bruno Kaneoya</dc:creator>
				<category><![CDATA[gastronomia]]></category>

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		<description><![CDATA[Workshop de Comida Japonesa


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<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="450" height="338" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowfullscreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=6851420&amp;server=vimeo.com&amp;show_title=1&amp;show_byline=1&amp;show_portrait=0&amp;color=ffffff&amp;fullscreen=1" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="450" height="338" src="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=6851420&amp;server=vimeo.com&amp;show_title=1&amp;show_byline=1&amp;show_portrait=0&amp;color=ffffff&amp;fullscreen=1" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="450" height="338" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowfullscreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=6851954&amp;server=vimeo.com&amp;show_title=1&amp;show_byline=1&amp;show_portrait=0&amp;color=ffffff&amp;fullscreen=1" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="450" height="338" src="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=6851954&amp;server=vimeo.com&amp;show_title=1&amp;show_byline=1&amp;show_portrait=0&amp;color=ffffff&amp;fullscreen=1" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p>Este foi o workshop de culinária japonesa realizado no Angeloni em parceria com o Sesc.</p>


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		<title>A SEMANA DA PAZ &#8211; II</title>
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		<pubDate>Thu, 06 Aug 2009 14:05:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Iochihiko Kaneoya</dc:creator>
				<category><![CDATA[atualidades]]></category>
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		<description><![CDATA[A SEMANA DA PAZ &#8211; II
 
O imigrante Kazumi Ogawa &#8211; II
 
Ogawa não quis mais permanecer em local de tão tristes lembranças. A outrora agradável Nagasaki dos amigos, das colinas verdejantes, dos undo-kais (gincana familiar), da floração das cerejeiras,tornou-se cemitério de entulhos, cinzas e destruição. Ali, a bomba sepultou parte da alma de Ogawa: sua família, [...]


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			<content:encoded><![CDATA[<div><span style="font-size: small;"><span lang="PT-BR"><strong>A SEMANA DA PAZ &#8211; II</strong></span></span></div>
<div><span style="font-size: small;"><span lang="PT-BR"><strong> </strong></span></span></div>
<div><span style="font-size: small;"><span lang="PT-BR"><strong>O imigrante Kazumi Ogawa &#8211; II</strong></span></span></div>
<div><span style="font-size: small;"><span lang="PT-BR"> </span></span></div>
<div><span style="font-size: small;"><span lang="PT-BR">Ogawa não quis mais permanecer em local de tão tristes lembranças. A outrora agradável Nagasaki dos amigos, das colinas verdejantes, dos undo-kais (gincana familiar), da floração das cerejeiras,</span></span><span style="font-size: small;"><span lang="PT-BR">tornou-se cemitério de entulhos, cinzas e destruição. Ali, a bomba sepultou parte da alma de Ogawa: sua família, seus amigos, seus professores, sua escola, suas flores de cerejeira.</span></span></div>
<p>Após uma breve passagem por Santa Maria no Rio Grande do Sul, no dia 9 de abril de 1964, chegaram ao Núcleo Celso Ramos, de Frei Rogério, 8 famílias, mais de 50 pessoas, todos sobreviventes da bomba de Nagasaki, como imigrantes fruticultores. Entre eles, Kazumi Ogawa.</p>
<p>Deixara o Japão, sua terra natal, em busca de uma vida melhor, num país sem guerras, onde pudesse criar seus filhos. Passou breve período nos EUA mas trocou-o pelo Brasil. Aqui encontrou solo fértil, clima ameno, terra sem terremoto, tufão ou furacão e o povo com calor humano. Muitos voltaram ao Japão desistindo da vida sacrificada de agricultor. Ogawa permaneceu. Tinha fé no potencial daquelas terras.</p>
<p>Não esqueceu o Japão. Nem a desumanidade da guerra. Nem os mortos de Nagasaki. Erigiu em suas terras um pequeno santuário, onde todas as tardes, ao deixar a lavra do campo, numa oração íntima, desprovida de pompa, pedia atenção e desvelo divino à sua Nagasaki, às almas dos que pereceram na guerra, mas principalmente que Deus desse sabedoria aos homens para que compreendessem a desnecessidade de conflitos armados com tal terrível arsenal bélico.</p>
<p>Agradecia pela nova vida, pela família, pela porção de terras que faria inveja a qualquer agricultor japonês, pelo clima que possibilitava produtividade generosa.</p>
<p>As palavras comovem, mas o exemplo arrasta.</p>
<p>A notícia da atitude de Ogawa se espalhou e logo outras pessoas, além dos sobreviventes e descendentes, quiseram participar daquela cerimônia. Com o tempo, o governo de Santa Catarina, reconhecendo a importância cultural daquele ato, financiou a construção naquele local do Parque do Sino da Paz. Aí se encontra o sino fundido em aproximadamente 1600 que estava no Templo de Daionji, em Nagasaki e doado em 1998 pela Associação de Amizade Internacional da Província de Nagasaki à associação fundada por Ogawa e os sobreviventes, em reconhecimento ao seu movimento pela Paz.</p>
<p>Em todo 9 de agosto, o local recebe pessoas de vários lugares que participam da cerimônia presidida pelo imigrante japonês. Ao final, em silêncio, às 11:02 h, com o toque prolongado e sentido do triplo badalar do sino ainda ecoando nas colinas de Frei Rogério &#8211; como que anunciando pedido a ser feito &#8211; ouvem a oração de Ogawa com seu indefectível pedido de Paz para a Humanidade.</p>
<p>Kazumi Ogawa e a comunidade sobrevivente de Frei Rogério, são gente que fazem parte da riqueza espiritual de Santa Catarina.</p>
<p>Nosso reconhecimento aos homens públicos do nosso estado pela sensibilidade, visão cultural e antropológica, e principalmente por entender a profundidade espiritual da mensagem desta obra para Santa Catarina, para o Brasil e para a Humanidade.</p>


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		<title>A SEMANA DA PAZ &#8211; I</title>
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		<pubDate>Tue, 04 Aug 2009 13:50:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Iochihiko Kaneoya</dc:creator>
				<category><![CDATA[atualidades]]></category>
		<category><![CDATA[cidades]]></category>
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		<category><![CDATA[japão]]></category>

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		<description><![CDATA[ A SEMANA DA PAZ &#8211; I
  
 
 O Imigrante Kazumi Ogawa- I


   
 Nesta semana nos dias 6 e 9 de agosto, o mundo vai relembrar as bombas atômicas que foram lançadas sobre Hiroshima e Nagasaki, pondo fim à Segunda Guerra Mundial. A Humanidade, horrorizada, fez ecoar pelo mundo movimentos pela [...]


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			<content:encoded><![CDATA[<div><strong><span style="font-size: small;"><span lang="PT-BR"> A SEMANA DA PAZ &#8211; I</span></span></strong></div>
<div><strong><span style="font-size: small;"><span lang="PT-BR"> </span></span></strong><strong><span style="font-size: small;"> </span></strong></div>
<p><strong><span style="font-size: small;"> </span></strong></p>
<div><strong> </strong><strong>O Imigrante Kazumi Ogawa- I</strong></div>
<div><strong><br />
</strong></div>
<div><strong> </strong><strong> </strong><strong> </strong></div>
<p><strong> </strong>Nesta semana nos dias 6 e 9 de agosto, o mundo vai relembrar as bombas atômicas que foram lançadas sobre Hiroshima e Nagasaki, pondo fim à Segunda Guerra Mundial. A Humanidade, horrorizada, fez ecoar pelo mundo movimentos pela Paz. Alguns deixaram o Japão à procura de terras onde pudessem criar sua família&#8230;.E para onde foram?</p>
<p>Como canta Tetê Espíndola: estava escrito nas estrelas.</p>
<p>Naquela manhã de 9 de agosto de 1945, um apressado Kazumi corria tentando apanhar a balsa que o levaria à escola. Acordara um pouco tarde e apressava-se para redimir-se do sermão de sua mãe. Apesar do esforço, a balsa o deixara em terra.</p>
<p>Um amigo convidou e o adolescente Kazumi, então com 16 anos, aceitou ser o acompanhante num passeio pelos bosques atrás das colinas, distante 8 km de onde morava, obviamente, sem dizer nada aos pais. Queria aproveitar aquele momento de folga, pois suas tardes eram ocupadas numa fábrica de armamentos. O Japão estava em plena guerra e os jovens estudantes eram incentivados a se alistarem nas Forças Armadas ou para trabalho em fábricas de armas ou munições.</p>
<p>O jovem Kazumi tratava de aproveitar o momento de lazer quando de repente, o Sol pareceu descer sobre a Terra envolvendo-a com seu manto abrasador e ofuscar o dia claro com mil sóis sob a explosão tonitruante de mil canhões, cujas bocas cuspiam ventos de fogo e brasa que a tudo carbonizava.</p>
<p>Que seria aquilo?</p>
<p>Castigo por faltar à escola? Profecia de Nostradamus? Uma nova Sodoma e Gomorra?</p>
<p>Instintivamente os jovens cobriram os olhos, numa reação incrédula, a alma não querendo ver o que de terrível se passava e o corpo, trêmulo e exangue, certamente desejando estar bem longe dali, em local seguro. Olhos lacrimejantes, sem nenhuma visão por alguns instantes &#8211; cegos pelo clarão &#8211; subiram a colina para examinar em direção de tão assustador acontecimento.</p>
<p>De longe, no topo da colina, viram estupefatos que não havia mais a cidade. No seu lugar, restos de casas fumegando, entulhos e ferros carbonizados e retorcidos. Entreolharam-se, mudos, olhares fixos, imóveis como o espírito, terrificados diante do inacreditável. Queriam acordar, precisavam acordar. O pesadelo era insuportável.</p>
<p>Tanto quanto as forças permitiram, voltaram rápido para a vila onde moravam. Já mais perto da cidade, à beira do caminho, o mato antes verdejante, fumegava apenas com seus restos de galhos. O calor era abrasador, tudo quente: chão, ar, restos de madeira que queimavam, as calçadas, os restos de muros. E não havia mais água potável. Apenas aquele líquido escuro disputado pela multidão de zumbis sedentos e queimados, roupas unidas a peles chamuscadas, esgarçadas e dependuradas ao longo do corpo, alguns tentando segurar partes das vísceras expostas. Muitos morreriam sem beber.</p>
<p>Os relógios marcavam 11:02 h do dia 9 de agosto. O tempo parou neste instante. Mais uma vez, apenas 72 horas após a bomba de Hiroshima, foram caladas as vozes da moral e da ética. A razão e o bom senso da humanidade se ausentaram, possivelmente, como Kazumi, constrangidos em não ter como justificar suas faltas<span id="more-664"></span><!--more-->.</p>
<p>A cidade de Nagasaki é cortada pelo Rio Nakajima. Após a explosão muitos foram beber da sua água, agora mortalmente radiativa. Muitos machucados pedindo socorro, clamando por ajuda; alguns anunciavam seu nome para um Kazumi horrorizado, impotente e confuso, incapaz de reconhecer gente conhecida naqueles rostos desfigurados.</p>
<p>Na manhã do dia 10 de agosto, milhares de cadáveres amanheceram nas margens do rio. Outros tantos tombaram a caminho durante a noite. Naquela manhã calorenta de agosto, as águas do Rio Nakajima, antes tão cheio de vida, de barcos e pescadores, cumpriram o apiedado ritual da extrema-unção aos moribundos nagasakianos que encontraram nas suas margens mortalha misericordiosa.</p>
<p>O jovem Kazumi via ao seu redor o que Dante apenas imaginou. Aquilo era o Inferno Real. Corpos carbonizados, cadáveres aqui e acolá, cheiro de madeira e carne queimadas, sombras de figuras humanas fixadas na parede cujos corpos foram vaporizados pelo calor da bomba.</p>
<p>Sua escola fora quase toda destruída. Morreram 180 dos 300 estudantes. Kazumi chorou. E choraria mais ainda a morte de parentes, amigos, professores, que simplesmente desapareceram, vaporizados, sem deixar rastros. Outros iam morrendo aos poucos nos dias seguintes, pelo veneno da radiação que não tinha pressa em desconstruir os corpos: primeiro perdiam o cabelo, as unhas, a pele que se enchia de pústulas e finalmente leucêmicos, morriam. Os sobreviventes, expostos à radiação, sofreriam para sempre os efeitos daquele ato que pôs fim à guerra de forma tão perversa.</p>
<p>Como outros, o adolescente não compreendia as razões políticas daquela destruição. Mas certamente compreendeu a extrema desumanidade daquele episódio, a desnecessidade do uso daquela violência irracional contra seu povo inerme, contra qualquer povo, de qualquer país, contra o ser humano. Por entre lágrimas e soluços, o coração apertado pela impotência e inconformismo, como o lendário pássaro Fênix, nascia das cinzas de Nagasaki, o pacifista Kazumi Ogawa.</p>
<p>Vários países, após o fim da Segunda Guerra, numa atitude de respeito e solidariedade, enviaram à prefeitura de Nagasaki esculturas para exposição no Parque da Paz, construída pela prefeitura. Entre eles está o Brasil.</p>
<p>Lembrando as vítimas deste fatídico 9 de agosto, Nagasaki todos os anos, neste dia, exatamente às 11:02 h, celebra cerimônia em homenagem aos mortos, durante a qual ouvem-se três longos toques de sino. À noite, milhares de pessoas vêm às margens do Rio Nakajima soltar em suas águas as lanternas flutuantes com o nome dos mortos. É a mais famosa cerimônia de Tooro Nagashi do mundo. (lanternas feitas de madeira e papel de seda colorida onde se escrevem os nomes dos mortos; ao centro, uma vela acesa para iluminar o caminho de volta). Em Hiroshima, no dia 6 de agosto também são realizados o cerimonial e o Tooro Nagashi nas águas do Rio Motoyasu. No Brasil as cidades paulistas de Santos e Registro têm realizado com grande sucesso o Tooro Nagashi.</p>


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		<title>O UNDO-KAI</title>
		<link>http://www.nipocultura.com.br/?p=658</link>
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		<pubDate>Wed, 29 Jul 2009 23:50:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Iochihiko Kaneoya</dc:creator>
				<category><![CDATA[comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[curiosidades]]></category>
		<category><![CDATA[esportes]]></category>
		<category><![CDATA[eventos]]></category>
		<category><![CDATA[festivais]]></category>

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		<description><![CDATA[ 
O UNDO-KAI 
Os imigrantes japoneses trouxeram ao Brasil o costume da realização anual do Undo-kai, mais conhecido entre nós como Gincana poli-esportiva. A princípio era realizado em comemoração ao Tencho-setsu – dia 29 de abril – data natalícia do Imperador Showa. O Imperador faleceu, mas ainda por um bom tempo a comunidade costumava realizar o [...]


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<p><strong><span lang="PT-BR">O UNDO-KAI </span></strong></p>
<p align="justify">Os imigrantes japoneses trouxeram ao Brasil o costume da realização anual do Undo-kai, mais conhecido entre nós como Gincana poli-esportiva. A princípio era realizado em comemoração ao Tencho-setsu – dia 29 de abril – data natalícia do Imperador Showa. O Imperador faleceu, mas ainda por um bom tempo a comunidade costumava realizar o Undo-kai em fins de abril, começos de maio. Hoje a confraternização faz parte do calendário de realizações das muitas associações da comunidade nipônica em qualquer época do ano.</p>
<p align="justify">Como toda a cultura japonesa, cuja essência pode ser resumida no <em>WA</em> – <em>harmonia</em>, o Undo-kai também é a prática do <em>wa</em>:  em família, pela realização de competições para todas as idades; em comunidade, pela participação indiscriminadamente de raça, credo, etnia ou qualquer outro carácter distintivo do homem.</p>
<p align="justify">Em homenagem aos seus deuses, os antigos gregos iniciaram as competições esportivas na cidade de Olímpia. Acreditavam que poderiam cultivar a mente sadia em corpo sadio. Diferentemente destas competições, no Undo-kai não há vencedores notáveis. Não há atletas profissionais nem se objetiva a revelação de talentos individuais. Os prêmios são simbólicos, de pouco valor econômico – porque são adquiridos pela ajuda financeira da comunidade – têm mais o caráter de lembrança de participação do que de prêmio, mesmo porque ganham todos os participantes: dançarinas, tocadores de taikô, crianças demonstradoras de ginástica.</p>
<p align="justify">Nas provas são todos iguais; abandona-se o que se é fora do campo: não há ricos, pobres, doutores, patrões ou empregados – são todos participantes da gincana da grande família comunitária – na verdade, um eficiente pretexto que o japonês encontrou para desfrutar da companhia do próximo.</p>
<p align="justify">O importante não é vencer. É participar. Até no colo da mãe, de bengala ou cadeira de rodas.</p>
<p align="justify">E todos sabem que, mais importante do que participar, é construir o clima de harmonia, cordialidade e respeito, pois só nessa atmosfera o japonês sabe que o congraçamento e a confraternização serão possíveis.</p>
<p align="justify">&#8220;<em>Mens sana in corpore sano&#8221;</em>,  disseram os gregos.*</p>
<p align="justify">&#8220;<em>Homines sani in communitate sana&#8221;,</em> diriam os japoneses.**</p>
<p align="justify">
<p align="justify">* Mente sã em corpo são.</p>
<p align="justify">** Homens sãos em comunidade sã.</p>


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		<title>Hinamatsuri (雛祭り) Festival de Bonecas &#8211; O Dia das Meninas</title>
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		<pubDate>Mon, 27 Jul 2009 04:28:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Iochihiko Kaneoya</dc:creator>
				<category><![CDATA[artes]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[curiosidades]]></category>
		<category><![CDATA[festivais]]></category>
		<category><![CDATA[japão]]></category>

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		<description><![CDATA[Hinamatsuri (雛祭り) Festival de Bonecas - O Dia das Meninas
 
O dia 03 de março é conhecido como Hinamatsuri. É uma festa típica japonesa. Tem como ritual a montagem de altares com panos vermelhos em degraus, chamados de hinadan, onde são dispostas bonecas ((雛人形, hina-ningyō) que representam a família imperial, os serviçais e os músicos com as [...]


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			<content:encoded><![CDATA[<h1>Hinamatsuri (雛祭り) Festival de Bonecas - O Dia das Meninas</h1>
<p> </p>
<p>O dia 03 de março é conhecido como Hinamatsuri. É uma festa típica japonesa. Tem como ritual a montagem de altares com panos vermelhos em degraus, chamados de hinadan, onde são dispostas bonecas ((雛人形, <em>hina-ningyō)</em> que representam a família imperial, os serviçais e os músicos com as vestimentas tradicionais do período Heian. As famílias celebram a data desejando um crescimento saudável e feliz.</p>
<p> </p>
<table border="0" cellspacing="0" cellpadding="0" width="82%">
<tbody>
<tr>
<td width="100%"><strong>Akari o tsukemashou bonbori ni<br />
</strong>明かりをつけましょう　ぼんぼりに</td>
</tr>
<tr>
<td width="100%"><strong>Ohana o agemashou momo no hana<br />
</strong>お花をあげましょう　桃の花</td>
</tr>
<tr>
<td width="100%"><strong>Go-nin bayashi no fue taiko<br />
</strong>五人ばやしの　笛太鼓</td>
</tr>
<tr>
<td width="100%"><strong>Kyo wa tanoshii Hinamatsuri<br />
</strong>今日は楽しいひな祭り</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><strong>Disposição</strong></p>
<h3>Primeira plataforma</h3>
<p>Apresenta duas bonecas que representam o Imperador (お内裏さま, <em>O-Dairi-sama</em>) e a Imperatriz (お雛さま, <em>O-Hina-sama</em>). (<strong>Dairi</strong> significa <em>Palácio Imperial</em>, <strong>Hina</strong> é <em>menina</em> ou <em>princesa</em>  Atrás deles há um biombo dourado representando o trono. Em extremidades opostas, duas lanternas brancas (<em>bonbori</em>) completam o patamar.</p>
<p> <strong>Segunda plataforma</strong></p>
<p>O segundo degrau traz três damas da Corte (三人官女, <em>San-nin kanjo</em>): <em>Nagae no choushi</em>, que carrega <a href="http://www.acbj.com.br/alianca/palavras.php?Palavra=85">sake</a> e uma longa concha; <em>Sanpou</em>, que carrega <a href="http://www.acbj.com.br/alianca/palavras.php?Palavra=85">sake,</a> mas permanece sentada e as outras em pé; e <em>Kuwae</em> <em>no choushi</em> que também serve <a href="http://www.acbj.com.br/alianca/palavras.php?Palavra=85">sake.</a> Há também bandejas com bolinhos de arroz.</p>
<h3>Terceira plataforma</h3>
<p>No terceiro degrau estão cinco músicos (五人囃し, <em>Go-nin bayashi</em>). Existem quatro instrumentistas: <em>Taiko</em> (pequeno tambor), <em>Ookawa</em> (grande tambor de mão), <em>Kotsuzumi</em> (tambor de mão) (tanto <em>Ookawa</em> quanto <em>Kotsuzumi</em> tocam os instrumentos em pé), <em>Fue </em>(flauta) e <em>Utaikata</em> (cantor que segura um <em>sensu</em> = leque). Eles fornecem a melodia para a celebração (uma canção homônima). </p>
<h3>Quarta plataforma</h3>
<p>Ficam o <em>Zuishin</em> (dois ministros); o da direita é <em>Udaijin</em> e o da esquerda <em>Sadaijin</em>, que era considerado superior na antiga corte japonesa, pois quase sempre um ancião, famoso por sua sabedoria era escolhido para esta posição. Por isso, <em>Sadaijin</em> tem uma longa barba e parece ser mais velho do que <em>Udaijin</em>. </p>
<p> <strong>Quinta plataforma</strong></p>
<p>São colocados o <em>Ukon no tachibana </em>(laranjeira, sempre plantada à direita), <em>Sakon no <a href="http://www.acbj.com.br/alianca/palavras.php?Palavra=166">Sakura</a> </em>(cerejeira sempre plantada à esquerda) ou pessegueiro (substituída no Festival dos Pêssegos) e o <em>Eji </em>(três servos). Esses três bonecos são: <em>Nakijogo</em> (bebedor triste) geralmente um jovem, sentado no centro com os sapatos do <em>obina</em>. O segundo mais velho, O<em>korijogo</em> (bebedor zangado) segura o guarda-chuva do <em>obina</em>. O mais velho <em>Waraijogo</em> (bebedor animado) segura um chapéu e um bastão com um disco redondo e coberto no topo.</p>
<p> <strong>Sexta e sétima plataforma</strong></p>
<p>Vários utensílios domésticos em miniatura representam o dote de casamento. <em>Hishidai</em> (literalmente, suporte (<em>daí</em>) em forma de diamante (<em>hishi</em>); uma pequena mesa, na qual bolinhos de arroz (<em>hishimochi</em>) em forma de diamante são ofertados); <em>tansu</em> (cômoda com gavetas); <em>nagamochi</em> (grande baú). Antigamente, faziam parte do enxoval da noiva. Não são mais usados, mas podem ser vistos em lojas de antiguidades. Eram usados para guardar <a href="http://www.acbj.com.br/alianca/palavras.php?Palavra=130">kimono,</a> <a href="http://www.acbj.com.br/alianca/palavras.php?Palavra=79">futon,</a> etc. No caso de viagens, dois bastões eram inseridos em alças de corda em cada extremidade do baú e carregado no ombro por dois servos); <em>haribako</em> (tradicional caixa de costura). No topo do braço vertical há uma almofada de agulhas, que tradicionalmente era recheada com cabelos, pois estes continham óleos naturais, que evitavam que as agulhas se enferrujassem e também se lubrificavam, tornando-as mais fáceis para a costura. O <em>hibachi</em> (literalmente “pote de fogo”) era um braseiro que queimava carvão e podia ser feito de madeira, bronze, ferro, latão, cobre ou porcelana. Era uma fonte central de calor nas temporadas de frio, antes dos aquecedores a gás e querosene surgirem. Também possui a dupla função de fogareiro para esquentar a água, assar bolinhos de arroz); <em><a href="http://www.acbj.com.br/alianca/palavras.php?Palavra=81">ocha</a> dogu</em> (utensílios usados durante a preparação do chá, na cerimônia de chá); <em>juubako</em> (cesta de caixas laqueadas usadas para servir comida. Literalmente “caixas laqueadas”. Hoje em dia, elas são usadas apenas em ocasiões especiais, como no Ano Novo); <em>gosho kuruma</em> (carruagem para as pessoas da nobreza, geralmente puxada por bois). </p>
<p> É costume as amigas se reunirem diante das bonecas, trocando saudações cerimoniosas. Elas se deliciam com doces e bolinhos de arroz (<em>Hishimochi</em>) e bebem o sake doce (<em>Shirozake</em>), que também são ofertados às bonecas.</p>
<p>Algumas famílias possuem <em>Hina Ningyo</em> centenárias, consideradas verdadeiras heranças de família. Algumas noivas, ao se casarem, levam consigo o seu conjunto de bonecas para as suas novas casas.</p>
<p><a href="http://japanese.about.com/library/weekly/aa022501a.htm">http://japanese.about.com/library/weekly/aa022501a.htm</a></p>
<p><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Hinamatsuri">http://pt.wikipedia.org/wiki/Hinamatsuri</a></p>
<p> <a href="http://www.sp.br.emb-japan.go.jp/pt/info_curiosidades.htm">http://www.sp.br.emb-japan.go.jp/pt/info_curiosidades.htm</a></p>
<p>http://www.acbj.com.br/alianca/palavras.php?Palavra=63</p>


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		<title>Madadayo &#8211; Akira Kurosawa</title>
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		<pubDate>Sat, 21 Feb 2009 18:03:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Iochihiko Kaneoya</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinema]]></category>
		<category><![CDATA[akira kurosawa]]></category>
		<category><![CDATA[cinema japonês]]></category>
		<category><![CDATA[Hyakken Uchida]]></category>
		<category><![CDATA[inazo nitobe]]></category>
		<category><![CDATA[Kinkakuji]]></category>
		<category><![CDATA[madadayo]]></category>
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		<category><![CDATA[mouiiyo]]></category>
		<category><![CDATA[pietá]]></category>
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		<category><![CDATA[xintoismo]]></category>
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		<description><![CDATA[MADADAYO
Diretor: Akira Kurosawa – 1993
Filme lírico, poético, de casto humor, porém, rico e denso ao mostrar valores do relacionamento professor-aluno, bastante acentuados na cultura japonesa.
É a história real da vida do professor Hyakken Uchida que após 30 anos lecionando literatura alemã, se aposenta, tornando-se escritor. Durante seu magistério, ensinou gerações de jovens, alguns, filhos de [...]


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			<content:encoded><![CDATA[<p>MADADAYO</p>
<p>Diretor: Akira Kurosawa – 1993</p>
<p>Filme lírico, poético, de casto humor, porém, rico e denso ao mostrar valores do relacionamento professor-aluno, bastante acentuados na cultura japonesa.<br />
É a história real da vida do professor Hyakken Uchida que após 30 anos lecionando literatura alemã, se aposenta, tornando-se escritor. Durante seu magistério, ensinou gerações de jovens, alguns, filhos de ex-alunos.<br />
Com frequência os ex-alunos, que o chamavam de ouro maciço, o visitam para tomarem saquê, sendo sempre surpreendidos com sua sincera espirituosidade. Escreve na entrada da sua casa que as visitas lhe são aborrecidas, não a de seus ex-alunos; ao mesmo tempo, que as visitas lhe são agradáveis, não a de seus ex-alunos. Mas com prazer os convida para o jantar da comemoração do seu 60º aniversário e confessa ter comprado a carne mais barata.<br />
De puro e fino humor,  suas atitudes são levemente zombeteiras, porém sempre respeitosas. Numa ocasião, dois ex-alunos decidem entrar na casa, sorrateiramente, tarde da noite para se certificarem da segurança. Ficam surpresos não apenas pela entrada fácil, mas, quando vêem por toda a casa indicações para eventuais ladrões: “entrada”, “área de recreio” e “saída”. Em outra casa há ainda cartazes sugestivos e bem humorados como o homônimo de “Kinkakuji” (no Japão, nome de um templo todo revestido de ouro, do século XIV em Kyoto), porém escrito com outros caracteres que significam “santuário de entrada proibida para visitantes” e o desenho de uma ameaçadora tesoura sob os dizeres num muro em que se pedia o favor de não se urinar ali.<br />
Bastante estimado, seus ex-alunos decidem então que todos os anos comemorariam o aniversário do professor numa festa que denominaram “Ma-ah-da-kai”, cuja escrita ideográfica pode ser traduzida a algo como “encontro com alguém superior, elevado, divino”, nome que retiraram de uma brincadeira de crianças japonesas, entre nós conhecida como esconde-esconde. No Japão as crianças se escondem e o que se põe a procurar pergunta cantarolando “ma-ah-da-kai” ou “mou i-i-kai (agora já posso?) ao que os demais respondem também melodiosamente “madadayo” (ainda não) ou, se já estão escondidos, “mou i-i-yo” (agora já pode).<br />
Todos os anos no Ma-ah-da-kai os discípulos lhe preparam um grande copo de cerveja que o mestre bebe com prazer, ao final lhes cantando, como as crianças, “madadayo”, o que quer dizer naquele contexto, estou bem de saúde e a morte ainda está longe; não pode vir me buscar.<br />
Com a casa destruída pelos bombardeios durante a Segunda Guerra, o professor muda-se para uma casa extremamente modesta onde quase não cabiam os discípulos visitantes. Mesmo assim, as visitas eram frequentes e bem humoradas. Após algum tempo, os ex-alunos compram-lhe uma casa nova.<br />
Dotado de uma sinceridade pueril e extremamente simples, o mestre tinha a alma grande e sensível. Se angustia diante de fato tão simples como o desaparecimento de um gato sem dono, que lhe pertencera ocasionalmente. Fato certamente insignificante e miúdo aos olhos do adulto normal – aquele preocupado com a produtividade no trabalho, com a família, com a casa e as contas para pagar – mas não para os ex-alunos. A eles não importa a natureza do sofrimento,  apenas o bem estar do mestre.<br />
Seus ex-alunos devotam-lhe respeito e sincera admiração e as ocasiões dos encontros parecem ser ato voluntário de abandono de suas atividades de <em>homo faber</em> para voltarem ao <em>homo ludens</em> que eram quando crianças: desaparecem as diferenças sociais e as únicas coisas que os unem é o prazer da convivência e de juntos experienciarem os mais elevados sentimentos ao redor de um ponto de ligação comum que os une desde a adolescência.<br />
Diferentemente do ocidente, no oriente o budismo ensinou o caminho da salvação pela razão (iluminação). Na cultura desse povo tudo ligado ao conhecimento e ao aprimoramento da alma, é respeitado e venerado: as escolas, os professores, os livros, os santuários, os templos, os monges, os artistas, as obras de arte. Na hierarquia social, o professor terá sempre ascendência sobre seus ex-alunos indiferentemente da posição social que ocupem no futuro, pois na gênese cultural do xintoísmo &#8211; religião primitiva do Japão &#8211; está a perfeição do lado divino do ser humano e cabe ao educador apenas saber extraí-lo – como a escultura Pietá de Michelangelo, cuja extrema perfeição, ao ser elogiada, ouviu-se do artista que a perfeição já estava lá. Ele retirara apenas os excessos. A gratidão a esse trabalho do professor é eterna. Os japoneses têm um nome para a tarefa educacional, quer seja do professor ou dos pais: “shin-sei kaihatsu” (shin = Deus, sei = natureza, kaihatsu = desenvolver, manifestar), fazer manifestar o lado divino e perfeito de cada um. A grande vergonha de um professor é o fracasso do aluno.<br />
Kurosawa faz de uma convivência rica e substantiva o pano de fundo do seu filme, entretecido com os fios da solidariedade, do bom humor, do respeito e do amor. São os valores do Japão tradicional xintoísta, assim referidos por Yanagita Kunio, etnólogo japonês: “nos santuários xintoistas não há instrução doutrinária e só se aprende o xintoísmo pela convivência e pelo exemplo”<br />
O Ma-ah-da-kai é a prática divertida e bem humorada de princípios zen-budistas que estão na raiz da cultura genuinamente japonesa.<br />
Na prática da cerimônia do chá, por exemplo, não há a diversão ruidosa do filme mas os princípios são os mesmos: respeito, pureza, harmonia e serenidade. No sukiya-zukuri (saleta especialmente para a cerimônia), os convidados entram por uma porta chamada nijiriguchi, construída mais baixa que as comuns onde todos têm que se abaixar para entrar. Simbolicamente significa que todos abandonam o que são lá fora, são todos iguais dentro da sala de chá – recinto santificado que os isola do mundo exterior. Analogamente, no filme, os ex-alunos também estão isolados do mundo exterior e vivem numa atmosfera própria, inexpugnável e certamente estranha aos de fora, a cada comemoração do aniversário do professor. Nas palavras de um grande mestre: “ (a cerimônia do chá) é uma forma da arte de viver&#8230;(o chá) é um pretexto para a adoração da pureza e do refinamento, uma função sagrada unindo anfitrião e conviva para produzirem o máximo de beatitude em meio ao mundano”.<br />
A efemeridade da vida pregada pelo budismo dá a substancialidade do filme ao mesmo tempo que mostra a grandeza das coisas pequenas e a pequenez das coisas grandes. Despertadas de coisas pequenas, a grandeza dos elevados e perenes sentimentos permeiam todo o filme – nada faz crer que nem mesmo a morte do professor possa destrui-los – o resto é a grandeza apequenada na história: a guerra, a destruição da casa, compra de uma casa nova. O eterno é o que não se vê; o que se vê, é o efêmero, o impermanente.<br />
Uma vez mais mestre Kurosawa, como um talentoso “benshi” (no Japão, narrador dos antigos filmes mudos do cinema) narra sua história em forma de poema, deixando-nos sempre ao final, sua profunda mensagem de grande humanista: nascemos para a convivência e só assim podemos ser verdadeiramente humanos manifestando o que temos de melhor; a vida só tem sentido se for plena de sentimentos, de respeito, de amor ao próximo como pregaram as grandes almas da humanidade, desde Buda, Cristo e mais recentemente Mahatma Gandhi, Madre Teresa de Calcutá e Nelson Mandela.<br />
O que o professor jamais falou, Kurosawa disse-nos, à sua maneira, o que nunca queríamos ouvir.<br />
Se o professor Uchida sempre respondia, ao final do grande copo de cerveja, para júbilo de seus discípulos, “madadayo”, por que você tinha que nos dizer, em 6 de setembSe ro de 1998, “mou i-i-yo” (agora já posso), se nunca lhe perguntamos “ma-ah-da-kai” (agora já pode)?<br />
Foi como o mestre escreveu seu próprio epitáfio: libertando sua alma de criança a correr pelo campo com outras crianças numa tarde poeticamente crepuscular, cantarolando “madadayo”. Aos poucos sobre o cantarolar, sobressai-se suavemente L’estro Armonico de Vivaldi, clássicos de que tanto gostava, a câmera focalizando o céu cheio de cores – a última cena do filme – &#8230; a alma do mestre a adejar por entre as nuvens rumo ao infinito. Como no filme, o essencial é invisível.<br />
Um adeus sem tristeza.<br />
Um réquiem feito de ternura.<br />
Foi o último trabalho do grande &#8220;benshi&#8221;.<br />
A última poesia declamada pelo trovador.<br />
O último canto do menestrel das telas.</p>


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		<title>Akai Chouchin: a lanterna vermelha</title>
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		<pubDate>Thu, 15 Jan 2009 17:42:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Iochihiko Kaneoya</dc:creator>
				<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[teatro]]></category>
		<category><![CDATA[akai]]></category>
		<category><![CDATA[chouchin]]></category>
		<category><![CDATA[japão]]></category>

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		<description><![CDATA[Akai Chouchin: a lanterna vermelha


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			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-639" title="chouchin" src="http://www.nipocultura.com.br/wp-content/uploads/2009/01/chouchin.jpg" alt="chouchin" /></p>
<p><strong>Peça teatral que retrata a resistência dos valores de um Japão tradicional em meio à degradação dos laços de família, fato que foi bastante comum em situações de miséria no Japão feudal.</strong> Vemos aí, como fundo, um Japão  pintado com as cores do realismo social onde se ressaltam os valores da moral como força aglutinadora familiar.</p>
<p><strong>Sua encenação é simples, requerendo apenas alguns preparativos e cuidados, típicos do teatro japonês. </strong>Diferentemente do teatro ocidental, o cenário reporta-se ao mínimo, assim como os atores e o volume de movimentos no palco, dando-se ênfase particular à sutil interpretação dos atores, especialmente à entonação da voz. Embora de cenário minimalista, os detalhes têm que ser precisos, pois também eles, devem trazer sua mensagem ao público. Assim, deve-se cuidar atentamente das roupas, da caracterização física e psicológica dos atores e do ambiente.</p>
<p><strong>No teatro japonês há um caminho do lado esquerdo da platéia, chamado <em>hanamichi</em> – entrada e saída de atores.</strong><br />
<strong>No primeiro ato, o ambiente é de uma família de classe média. </strong>Roupas, cenário, móveis têm que estar condizentes.<br />
<strong>O segundo ato pode se dar com as cortinas fechadas, aproveitando-se para compor o próximo ambiente nos bastidores. </strong>Este ato tem caráter humorístico, funcionando como um pequeno intervalo entre os atos.<br />
<strong>O terceiro ato pode se dar no ambiente do primeiro, com pequenas modificações:</strong> um quadro, um vaso com flores a mais. O ator deve estar caracterizado como ladrão: máscara, boné, revólver, barba por fazer.</p>
<p><strong>Fazendo-se a apresentação à noite, consegue-se melhor efeito visual pelo jogo de luzes. </strong>A entrada e saída de atores, deve se fazer acompanhar por foco de luz. A luz deve focar o ator que fala, devendo permanecer no escuro os demais.<br />
<strong>No quarto ato, a casa é de gente pobre, assim como a indumentária dos atores: </strong>roupas surradas, puídas ou remendadas. No lado externo, deve-se expor um chouchin vermelho, aceso – pode-se utilizar uma vela de não mais que 5 cm. O foco de luz deve estar apenas no ator que entra, deixando-se o interior da casa apagado. O aspecto do chouchin deve lembrar objeto de 20 anos: velho, um pouco rasgado, puído. <strong>Serão necessários dois focos:</strong> para o ator que entra, fala, e ao se aproximar da casa, ilumina-se seu interior, apagando-se a primeira luz, quando se inicia a ação. O interior da casa deve estar elevado cerca de 50 cm em relação ao exterior.</p>
<p>Em caso de dúvida na montagem, estarei à disposição para esclarecimentos.</p>
<p>Bom espetáculo!</p>
<p>p.s. O japonês não é minha língua-mãe, por isso, eventuais erros apontados terão minha gratidão.<br />
Chouchin=lê-se tyoutin<br />
hanamichi=hanamiti</p>


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		<itunes:subtitle>Peccedil;a teatral que retrata a resistecirc;ncia dos valores de um Japatilde;o tradicional em meio agrave; degradaccedil;atilde;o dos laccedil;os de famiacute;lia, fato que foi bastante comum ...</itunes:subtitle>
		<itunes:summary>Peccedil;a teatral que retrata a resistecirc;ncia dos valores de um Japatilde;o tradicional em meio agrave; degradaccedil;atilde;o dos laccedil;os de famiacute;lia, fato que foi bastante comum em situaccedil;otilde;es de miseacute;ria no Japatilde;o feudal. Vemos aiacute;, como fundo, um Japatilde;onbsp; pintado com as cores do realismo social onde se ressaltam os valores da moral como forccedil;a aglutinadora familiar.

Sua encenaccedil;atilde;o eacute; simples, requerendo apenas alguns preparativos e cuidados, tiacute;picos do teatro japonecirc;s. Diferentemente do teatro ocidental, o cenaacute;rio reporta-se ao miacute;nimo, assim como os atores e o volume de movimentos no palco, dando-se ecirc;nfase particular agrave; sutil interpretaccedil;atilde;o dos atores, especialmente agrave; entonaccedil;atilde;o da voz. Embora de cenaacute;rio minimalista, os detalhes tecirc;m que ser precisos, pois tambeacute;m eles, devem trazer sua mensagem ao puacute;blico. Assim, deve-se cuidar atentamente das roupas, da caracterizaccedil;atilde;o fiacute;sica e psicoloacute;gica dos atores e do ambiente.

No teatro japonecirc;s haacute; um caminho do lado esquerdo da plateacute;ia, chamado hanamichi ndash; entrada e saiacute;da de atores.
No primeiro ato, o ambiente eacute; de uma famiacute;lia de classe meacute;dia. Roupas, cenaacute;rio, moacute;veis tecirc;m que estar condizentes.
O segundo ato pode se dar com as cortinas fechadas, aproveitando-se para compor o proacute;ximo ambiente nos bastidores. Este ato tem caraacute;ter humoriacute;stico, funcionando como um pequeno intervalo entre os atos.
O terceiro ato pode se dar no ambiente do primeiro, com pequenas modificaccedil;otilde;es: um quadro, um vaso com flores a mais. O ator deve estar caracterizado como ladratilde;o: maacute;scara, boneacute;, revoacute;lver, barba por fazer.

Fazendo-se a apresentaccedil;atilde;o agrave; noite, consegue-se melhor efeito visual pelo jogo de luzes. A entrada e saiacute;da de atores, deve se fazer acompanhar por foco de luz. A luz deve focar o ator que fala, devendo permanecer no escuro os demais.
No quarto ato, a casa eacute; de gente pobre, assim como a indumentaacute;ria dos atores: roupas surradas, puiacute;das ou remendadas. No lado externo, deve-se expor um chouchin vermelho, aceso ndash; pode-se utilizar uma vela de natilde;o mais que 5 cm. O foco de luz deve estar apenas no ator que entra, deixando-se o interior da casa apagado. O aspecto do chouchin deve lembrar objeto de 20 anos: velho, um pouco rasgado, puiacute;do. Seratilde;o necessaacute;rios dois focos: para o ator que entra, fala, e ao se aproximar da casa, ilumina-se seu interior, apagando-se a primeira luz, quando se inicia a accedil;atilde;o. O interior da casa deve estar elevado cerca de 50 cm em relaccedil;atilde;o ao exterior.

Em caso de duacute;vida na montagem, estarei agrave; disposiccedil;atilde;o para esclarecimentos.

Bom espetaacute;culo!

p.s. O japonecirc;s natilde;o eacute; minha liacute;ngua-matilde;e, por isso, eventuais erros apontados teratilde;o minha gratidatilde;o.
Chouchin=lecirc;-se tyoutin
hanamichi=hanamiti

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		<itunes:keywords>cultura,,teatro</itunes:keywords>
		<itunes:author>bruno@nipocultura.com.br</itunes:author>
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		<title>Bonsai (盆栽) &#124; planta na bandeja</title>
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		<pubDate>Sat, 15 Nov 2008 02:51:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bruno Kaneoya</dc:creator>
				<category><![CDATA[artes]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[história]]></category>
		<category><![CDATA[japão]]></category>
		<category><![CDATA[árvore]]></category>
		<category><![CDATA[bonsai]]></category>
		<category><![CDATA[cultivo]]></category>

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		<description><![CDATA[O bonsai é a arte de cultivar miniaturas de árvores em vasos decorativos. De origem chinesa, esta forma de expressão artística caiu nas graças do povo japonês devido ao amor xintoísta à natureza,  e principalmente  pela filosofia zen budista por trás de toda esta belíssima arte.


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			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-575" title="bonsai" src="http://www.nipocultura.com.br/wp-content/uploads/2008/11/bonsai.jpg" alt="http://flickr.com/photos/09traveler/1324756576/sizes/m/in/photostream/" /></p>
<p><strong>O bonsai é a arte de cultivar miniaturas de árvores em vasos decorativos.</strong> De origem chinesa, esta forma de expressão artística caiu nas graças do povo japonês devido ao amor xintoísta à natureza,  e principalmente  pela <a title="a alma do povo japonês" href="http://www.nipocultura.com.br/?p=204" target="_blank">filosofia zen budista</a> por trás de toda esta belíssima arte.</p>
<p><strong>Dentre todos os valores, a qualidade estética é a mais valorizada.</strong> Existem vários princípios que norteiam o desenvolvimento de um bom bonsai:</p>
<ul>
<li><strong>Transmitir a sensação de peso</strong> e idade avançada;</li>
<li><strong>Poucos galhos</strong> dará ao bonsai um aspecto mais maduro;</li>
<li>Com <strong>raízes visíveis</strong>, ela aparentará ser mais estável;</li>
<li>Tendo o seu <strong>tronco curvado</strong>, o bonsai acentuará o seu aspecto do peso.</li>
</ul>
<p>A combinação de diferentes  tipos de árvore, locais, solos, vasos etc,  proporcionam a criação de vários tipos de bonsais. São eles:</p>
<ul>
<li><strong>Chokan: </strong>árvore com tronco reto, que diminui a espessura gradativamente da base até o topo. Ramos simétricos e balanceados.</li>
<li><strong>Moyogi:</strong> tronco sinuoso, levemente inclinado.</li>
<li><strong>Shakan:</strong> tronco reto ou levemente sinuoso e inclinado.</li>
<li><strong>Kengai:</strong> o tronco se movimenta para a lateral e depois para baixo, saindo do vaso.</li>
<li><strong>Han-kengai:</strong> tronco similar ao anterior, contudo sem o movimento para baixo.</li>
<li><strong>Fukinagashi:</strong> galhos e tronco inclinados como se tivessem sido movimentados pelo vento.</li>
</ul>
<p><strong>Estes vários tipos de bonsais chegaram ao Japão durante a Era Kamakura (séculos XII ao XIV) </strong>e se desenvolveram durante toda a Era Tokugawa (século XVII ao XIX). Foi uma <strong>arte restrita às classes dominantes japonesas</strong>. <strong>Nos séculos XVII e XVIII a arte do bonsai atingiu o seu ápice e  se popularizou no Japão.</strong></p>
<p><strong>Nas primeiras exibições de bonsai no ocidente, entre os anos de 1880 e 1900, estas obras de arte foram alvo de polêmicas. </strong>Até meados do ano de 1935, dizia-se que estas árvores eram vítimas de torturas e eram comparadas às garotas chinesas que utilizavam sapatos de números menores com o objetivo de moldar os pés.</p>
<p><strong>Por fim, certamente as técnicas de cultivo do bonsai não maltratam as árvores, e resumem-se a conceitos básicos de jardinagem, tais como: podar, aguar e adubar. </strong></p>
<p><span style="color: #999999;"><em>Referências:</p>
<p>http://www.ryusuipt.com/Bonsai/1.html</p>
<p>http://en.wikipedia.org/wiki/Bonsai</p>
<p>http://www.koryunet.com</p>
<p>http://www.newworldencyclopedia.org/entry/Bonsai</em></span></p>


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		<title>A Balada de Narayama</title>
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		<pubDate>Wed, 12 Nov 2008 14:56:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Iochihiko Kaneoya</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinema]]></category>
		<category><![CDATA[divindade Jizo]]></category>
		<category><![CDATA[gimu]]></category>
		<category><![CDATA[giri]]></category>
		<category><![CDATA[mabiki]]></category>
		<category><![CDATA[Narayama]]></category>
		<category><![CDATA[nouvelle vague]]></category>
		<category><![CDATA[shohei imamura]]></category>
		<category><![CDATA[Ubasuteyama]]></category>

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		<description><![CDATA[Filme ganhador da Palma de Ouro em Cannes em 1983, foi considerado o melhor filme do ano.


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<p><strong>Filme ganhador da Palma de Ouro em Cannes em 1983, foi considerado o melhor filme do ano.</strong></p>
<p><strong>Baseado na lenda Ubasuteyama, do Japão antigo, Shohei Imamura nos conta a história sobre o Monte Narayama em cujo sopé, na época de um Japão feudal extremamente pobre, vive uma comunidade de aldeões agricultores.</strong> Os velhos, ao completarem 70 anos são levados ao Monte Narayama para ali morrerem. O altruísmo de Orin, uma idosa às vésperas de seus 70 anos e de saúde e dentes perfeitos, a faz quebrar os incisivos superiores para justificar sua desnecessidade de comida, já às vésperas de sua partida ao Monte. Orin, a despeito de sua breve partida, cuida da rotina da família; quer ver seu primogênito casado e providencia com uma velha vizinha satisfação sexual ao mais novo.</p>
<p><strong>A psique humana foi fascinantemente abordada pelos cineastas japoneses do cinema da fase Nouvelle Vague.</strong> Imamura, neste filme, aborda temas caros à alma do povo japonês tendo como pano de fundo a luta pela sobrevivência em meio à miséria e as grandes questões que afligem desde sempre a humanidade: a inexorabilidade da morte e da força dos instintos sobre as quais estão arraigadas, intocadas, valores da alma nipônica como “giri” (pronuncia-se guiri – obrigação com os outros) e “gimu” (pronuncia-se guimu – obrigação consigo próprio[C1] ). Lançados em ambiente hostil os valores morais esmaecem à sombra de necessidades mais fortes e urgentes, entre as quais, saciar a fome e o sexo.</p>
<p><strong>Imamura revisita um dos temas de discussão da Europa iluminista do século XVIII, quando retrata a força dos instintos animais em antagonismo com os valores morais do homem. O ambiente natural, hostil, próximo da natureza animal e a desnecessidade de valores morais mais sólidos moldam também o caráter dos homens. </strong>Os aldeões miseráveis sublimam a morte do septuagenário revestindo-a com valores morais altruístas ao mesmo tempo que a morte por inanição de crianças é banalizada como fato comum. Na primeira situação a partida é mais dolorida porque parte alguém de mais longa convivência, para quem há um “gimu”, na segunda, é alguém que ainda não serve para o trabalho e é apenas unidade consumidora de comida. Ao nascerem, crianças do sexo masculino correm o risco de serem eliminadas, mas o nascimento de meninas representa algum alívio econômico pela possibilidade de venda. Era prática no Japão antigo o infanticídio, recebendo o nome genérico de &#8220;mabiki&#8221; e vários outros eufemismos regionais, entre os quais, “discípulo da divindade Jizo”, protetor das crianças.</p>
<p><strong>O sexo é banalizado na promiscuidade e praticado ora pela concupiscência, ora como mecanismo regulador das tensões sexuais.</strong> Quando praticado com algum humor entre jovens, este ato de feitio humano, sob a imagem poética do canto do rouxinol, se dá à luz do dia.</p>
<p><strong>O furto de alimentos é severamente punido, revestindo-se de violência, tal como ocorre no mundo animal na disputa por alimento. </strong>Este ato, a conseqüente violência e o sexo são sempre praticados à noite, no escuro, onde as figuras são incertas e o mundo do cinema de Imamura parece nos sugerir o profundo obscuro do nosso inconsciente onde abrigamos ainda nossos selvagens instintos que, com os freios morais da sociedade afrouxados, têm acesso fácil ao mundo exterior. A natureza impiedosa e indiferente mostra-se extremamente hostil e agressiva às necessidades humanas, moldando com sua onipresença também o caráter dos homens. As relações familiares e sociais apresentam-se degradadas e avançam condicionadas unicamente pela necessidade de sobrevivência: escassez de alimentos e sexo. Imoral é acrescentar mais uma boca de mulher grávida para ser alimentada, não as circunstâncias em que se deu a gravidez. Mas a boca que representa o prosseguimento da linhagem da família, é bem vinda.</p>
<p><strong>A morte e o seu entorno psicológico e físico são o tema central da obra de Shohei Imamura.</strong> A psique humana na tentativa de aceitação da mais excruciante dor do homem, cria o benévolo Deus do Monte Narayama em cuja companhia encontram-se, sempre dispostos a receber os vivos, os espíritos dos parentes e amigos ali deixados para morrer. Se por um lado há esse enlevo espiritual experimentado pela sublimidade da idéia do abrigo divino, no outro extremo, o consciente se aliena tentando manter sua sanidade ao se distanciar de humanos sentimentos, tornando a morte fato natural e corriqueiro, portanto, aceitável.</p>
<p><strong>A ausência de qualquer tipo de arte e lazer, cria no imaginário popular crendices e fantasias variadas que se misturam à realidade.</strong> Os aldeões cantam de improviso suas próprias canções para cada ocasião.</p>
<p><strong>O filme parece um pouco chocante. </strong>Acho que entenderemos melhor os fatos e a moral daquela comunidade quando nos apercebemos que nós é que estamos fortemente condicionados, desde o berço, por uma sociedade de paradigmas morais estabelecidos e aceitos como válidos, sem que nunca tenhamos tido consciência de que são valores válidos em condições normais de convivência social de uma sociedade moderna, onde não nos faltam alimento nem teto. Esgarçadas essas condições, Imamura mostra-nos a conseqüente modificação dos paradigmas: deterioradas sob a óptica da moral, porque próximas da nossa animalidade. Aos olhos da natureza, entretanto, é apenas a vida que segue acomodando suas forças biológicas no vácuo das forças sociais.</p>
<p><span style="color: #999999;"><em>Para saber mais: O crisântemo e a espada – Ruth Benedict – Edit. Perspectiva – 3ª edição – pag 10</em></span></p>


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