Arquivar por março, 2008

mar 31 2008

Sem-tetos no Japão

Foto Andrew Gray

A recente recessão econômica japonesa está criando um grande problema para o país. Estima-se que existam hoje 50 mil sem-tetos no Japão. Eles circulam nas proximidades das grandes estações de trem de Tóquio e nos grandes parques como o Ueno. A maioria possui algum tipo de dependência de drogas e alguns possuem problemas mentais.

Grande parte dos sem-tetos vivem no nomadismo, passando suas noites em caixas de papelão, em bancos de praças e carrinhos de supermercados. Mas infelizmente Osaka, a terceira maior cidade do Japão, se destaca com o problema dos no jyuku sha, onde além de construírem verdadeiros acampamentos, eles já fazem parte de uma comunidade organizada.

http://www.aha-projekte.de/publicblue/index.html

Facilmente identificados pelas barracas construídas com lonas azuis, os moradores das ruas de Osaka já somam aproximadamente 12 mil pessoas. E através da internet, eles se comunicam para organizar as ocupações e também os protestos pelos seus direitos.

Segundo Anke Haarmann, autor do documentário chamado Public Blue, os motivos que levam essas pessoas a tal situação são, principalmente, a idade avançada, o desemprego e o afastamento da família.

Mitsuo Nakamura, líder de um grupo de auxílio aos sem-tetos, vai além e diz que o verdadeiro problema é a discriminação que essas pessoas sofrem da sociedade. Segundo Nakamura, muitos deles estão desesperados a procura de empregos, mas não os encontram. “As empresas acreditam que as pessoas mais velhas são teimosas, inflexíveis e fracas”, disse Nobuyuki Kanematsu, diretor da ONG, Associação Contra a Velhice.

Fontes:

http://www.japanwindow.com/gallery/homeless/index.html

http://www.achr.net/japan_2002.htm

http://www.csmonitor.com/2004/1018/p07s01-woap.html

http://www.aha-projekte.de/publicblue/index.html


Leia também:

  1. Palestra sobre JET Programme

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mar 30 2008

A alma do povo japonês | Conseqüência na vida social

http://www.flickr.com/photos/dougellis/69297549/

Derivada do extremo respeito ao próximo ditado pelas normas morais, o povo japonês é extremamente cortês e preocupado com o sentimento alheio. Há escolas de etiqueta em todo o Japão que ensinam desde o modo de vestir o kimono, a palavras a serem usadas em cerimônias.

A língua japonesa é muito rica em palavras de respeito, em variações dos verbos, pronomes pessoais de tratamento ou possessivos, utilizadas conforme o grau de hierarquia, idade e sexo dos interlocutores, mas é muito pobre em palavras acerbas, ferinas. As expressões de respeito (sonkeigo | 尊敬), as de modéstia (kenjôgo | 謙譲) e as de polidez (teineigo | 丁寧) são objetos de estudo pormenorizado. Os verbos de modéstia como itasu (fazer | 致す), itadaku (receber | 頂く), mairu (ir/vir | 参る), môsu (dizer | 申す), uketamawaru (ouvir | 承る) são empregados ao se referir a si ou ao seu universo, nunca à de terceiros. Mesmo para dizer coisas desagradáveis, ou para se criticar, a linguagem é respeitosa. É contrário ao ideário japonês o desrespeito a pessoas, objetos ou à natureza mas sim, ensina-se o modo eficaz como suportar eventuais censuras: “quando outros lhe censurarem não os censure; quando outros estiverem zangados com você, não devolva a raiva. A felicidade vem apenas quando a Paixão e o Desejo partem”, ensina Kumazawa.

Do autocontrole ensinado pelo zen-budismo e pelo Bushido, ao ensinamento xintoísta que prega ser o homem Divindade, a censura a alguém é ato de fraqueza e na essência, desrespeitosa a um Ser Divino e para quem a recebe, vergonhosa, porque sua conduta macula seu lado divino, vale dizer, o deus celestial que nele habita. Os provérbios condenam a censura e alertam para se cuidar de eventuais falhas pessoais, passíveis de censura. A lição do espelho mitológico de Amaterasu cumpre seu papel de redentor da divindade do homem, lembrando-o que seus erros e fraquezas são frutos do seu desconhecimento sobre si mesmo. Os japoneses aprenderam com Mencius que por pior que seja o insulto, não se é possível poluir a alma de quem o ouve. Não se exaltar diante das adversidades, mantendo o total controle de suas emoções faziam parte do código Bushido.

A excessiva importância dada à honra pelo ideário incutiu na alma deste povo a vergonha como sentimento extremamente penoso. Saigo Takamori, líder revolucionário do final do século XIX, aconselhava agir de tal forma que sobre seu semblante a vergonha tenha vergonha de pousar. A vida era considerada barata, se através dela se pudesse atingir a honra. Se algo mais caro que a vida (honra, reparação, gratidão profunda) pudesse ser atingido pelo seu abandono, ela seria sacrificada. Para o ocidente, é impensável o ritual do suicídio como reparação de erro ou para se alcançar a honra.

Referência:
in Bushido – a alma do samurai ed 2005

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