Arquivar por agosto, 2009

ago 06 2009

A SEMANA DA PAZ – II

A SEMANA DA PAZ – II
 
O imigrante Kazumi Ogawa – II
 
Ogawa não quis mais permanecer em local de tão tristes lembranças. A outrora agradável Nagasaki dos amigos, das colinas verdejantes, dos undo-kais (gincana familiar), da floração das cerejeiras,tornou-se cemitério de entulhos, cinzas e destruição. Ali, a bomba sepultou parte da alma de Ogawa: sua família, seus amigos, seus professores, sua escola, suas flores de cerejeira.

Após uma breve passagem por Santa Maria no Rio Grande do Sul, no dia 9 de abril de 1964, chegaram ao Núcleo Celso Ramos, de Frei Rogério, 8 famílias, mais de 50 pessoas, todos sobreviventes da bomba de Nagasaki, como imigrantes fruticultores. Entre eles, Kazumi Ogawa.

Deixara o Japão, sua terra natal, em busca de uma vida melhor, num país sem guerras, onde pudesse criar seus filhos. Passou breve período nos EUA mas trocou-o pelo Brasil. Aqui encontrou solo fértil, clima ameno, terra sem terremoto, tufão ou furacão e o povo com calor humano. Muitos voltaram ao Japão desistindo da vida sacrificada de agricultor. Ogawa permaneceu. Tinha fé no potencial daquelas terras.

Não esqueceu o Japão. Nem a desumanidade da guerra. Nem os mortos de Nagasaki. Erigiu em suas terras um pequeno santuário, onde todas as tardes, ao deixar a lavra do campo, numa oração íntima, desprovida de pompa, pedia atenção e desvelo divino à sua Nagasaki, às almas dos que pereceram na guerra, mas principalmente que Deus desse sabedoria aos homens para que compreendessem a desnecessidade de conflitos armados com tal terrível arsenal bélico.

Agradecia pela nova vida, pela família, pela porção de terras que faria inveja a qualquer agricultor japonês, pelo clima que possibilitava produtividade generosa.

As palavras comovem, mas o exemplo arrasta.

A notícia da atitude de Ogawa se espalhou e logo outras pessoas, além dos sobreviventes e descendentes, quiseram participar daquela cerimônia. Com o tempo, o governo de Santa Catarina, reconhecendo a importância cultural daquele ato, financiou a construção naquele local do Parque do Sino da Paz. Aí se encontra o sino fundido em aproximadamente 1600 que estava no Templo de Daionji, em Nagasaki e doado em 1998 pela Associação de Amizade Internacional da Província de Nagasaki à associação fundada por Ogawa e os sobreviventes, em reconhecimento ao seu movimento pela Paz.

Em todo 9 de agosto, o local recebe pessoas de vários lugares que participam da cerimônia presidida pelo imigrante japonês. Ao final, em silêncio, às 11:02 h, com o toque prolongado e sentido do triplo badalar do sino ainda ecoando nas colinas de Frei Rogério – como que anunciando pedido a ser feito – ouvem a oração de Ogawa com seu indefectível pedido de Paz para a Humanidade.

Kazumi Ogawa e a comunidade sobrevivente de Frei Rogério, são gente que fazem parte da riqueza espiritual de Santa Catarina.

Nosso reconhecimento aos homens públicos do nosso estado pela sensibilidade, visão cultural e antropológica, e principalmente por entender a profundidade espiritual da mensagem desta obra para Santa Catarina, para o Brasil e para a Humanidade.

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ago 04 2009

A SEMANA DA PAZ – I

A SEMANA DA PAZ – I

O Imigrante Kazumi Ogawa- I

Nesta semana nos dias 6 e 9 de agosto, o mundo vai relembrar as bombas atômicas que foram lançadas sobre Hiroshima e Nagasaki, pondo fim à Segunda Guerra Mundial. A Humanidade, horrorizada, fez ecoar pelo mundo movimentos pela Paz. Alguns deixaram o Japão à procura de terras onde pudessem criar sua família….E para onde foram?

Como canta Tetê Espíndola: estava escrito nas estrelas.

Naquela manhã de 9 de agosto de 1945, um apressado Kazumi corria tentando apanhar a balsa que o levaria à escola. Acordara um pouco tarde e apressava-se para redimir-se do sermão de sua mãe. Apesar do esforço, a balsa o deixara em terra.

Um amigo convidou e o adolescente Kazumi, então com 16 anos, aceitou ser o acompanhante num passeio pelos bosques atrás das colinas, distante 8 km de onde morava, obviamente, sem dizer nada aos pais. Queria aproveitar aquele momento de folga, pois suas tardes eram ocupadas numa fábrica de armamentos. O Japão estava em plena guerra e os jovens estudantes eram incentivados a se alistarem nas Forças Armadas ou para trabalho em fábricas de armas ou munições.

O jovem Kazumi tratava de aproveitar o momento de lazer quando de repente, o Sol pareceu descer sobre a Terra envolvendo-a com seu manto abrasador e ofuscar o dia claro com mil sóis sob a explosão tonitruante de mil canhões, cujas bocas cuspiam ventos de fogo e brasa que a tudo carbonizava.

Que seria aquilo?

Castigo por faltar à escola? Profecia de Nostradamus? Uma nova Sodoma e Gomorra?

Instintivamente os jovens cobriram os olhos, numa reação incrédula, a alma não querendo ver o que de terrível se passava e o corpo, trêmulo e exangue, certamente desejando estar bem longe dali, em local seguro. Olhos lacrimejantes, sem nenhuma visão por alguns instantes – cegos pelo clarão – subiram a colina para examinar em direção de tão assustador acontecimento.

De longe, no topo da colina, viram estupefatos que não havia mais a cidade. No seu lugar, restos de casas fumegando, entulhos e ferros carbonizados e retorcidos. Entreolharam-se, mudos, olhares fixos, imóveis como o espírito, terrificados diante do inacreditável. Queriam acordar, precisavam acordar. O pesadelo era insuportável.

Tanto quanto as forças permitiram, voltaram rápido para a vila onde moravam. Já mais perto da cidade, à beira do caminho, o mato antes verdejante, fumegava apenas com seus restos de galhos. O calor era abrasador, tudo quente: chão, ar, restos de madeira que queimavam, as calçadas, os restos de muros. E não havia mais água potável. Apenas aquele líquido escuro disputado pela multidão de zumbis sedentos e queimados, roupas unidas a peles chamuscadas, esgarçadas e dependuradas ao longo do corpo, alguns tentando segurar partes das vísceras expostas. Muitos morreriam sem beber.

Os relógios marcavam 11:02 h do dia 9 de agosto. O tempo parou neste instante. Mais uma vez, apenas 72 horas após a bomba de Hiroshima, foram caladas as vozes da moral e da ética. A razão e o bom senso da humanidade se ausentaram, possivelmente, como Kazumi, constrangidos em não ter como justificar suas faltas Continuar lendo »


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  1. Palestra sobre JET Programme

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