Provérbios e expressões

150 150 Iochihiko Kaneoya

 

Foto: Renata Takaschima

Foto: Renata Takaschima







Sukiyaki (鋤焼き)

Prato bastante apreciado na culinária japonesa, sua origem é incerta, mas cercada de curioso folclore. Diz a lenda que na era medieval um nobre, voltando da caça, pediu a um camponês que lhe preparasse o animal abatido. O camponês, achando que sua panela era indigna de cozinhar para tão nobre visita, utilizou uma grande pá, seu instrumento agrícola, após lavá-la com cuidado. (Ou, a lenda não diz mas, quem sabe, não quis que suas panelas cozinhassem algo para o nobre). Fato é que literalmente sukiyaki significa aquilo que é cozido na pá (suki=pá; yaki=aquilo que é cozido, assado). Uma outra versão diz que camponeses cozinhavam batatas na pá enquanto lavravam a terra, o que lhes evitava o transporte de panela para o campo. Hoje o padrão da carne utilizada fixou-se na bovina, mas utilizou-se também a carne de peixe e frango. Como a variedade permitia a escolha da carne (mi=substância, carne), isto é, daquilo de que se gostasse (suki=gostar), há quem diga derivar de sukimi-yaki a origem do nome. Na origem, o prato chamava-se gyunabe ou ushinabe (ushi=gado bovino) pela utilização deste ingrediente que passou a ser padrão na preparação do prato. Foi na Era Taisho (1912-1926) que o prato passou a ser conhecido pelo nome atual.

Referências

OTSUKI, Hiroshi; GRINDSTAFF, Bradley. Cultural keys: the history of japanese words and phrases. Tokyo: The Hokuseido Press, 1995.

http://en.wikipedia.org/wiki/Sukiyaki

http://ja.wikipedia.org/wiki/%E3%81%99%E3%81%8D%E7%84%BC%E3%81%8D

 

Sukebei (助平)

Palavra que teve origem na junção de suke, forma antiga do verbo suku (gostar), e hei (terminação bastante comum para nomes masculinos no Japão como se vê em Koohei, Jihei). O lascivo, aquele que gosta de mulheres foi então chamado de Sukebei. Como no Brasil, há também no Japão nomes utilizados com intuito de troça: Nanashi no Gonbei (o Gonbei sem nome), algo equivalente no Brasil a João Ninguém; Honekawa Minai (osso, pele, sem carne) para se referir a pessoas extremamente magras; Akutarô (aku=mau, tarô=nome masculino) para menino levado, peralta); Tadanori (tada=livre, grátis, nori=embarcar) para caroneiro, aquele que não costuma pagar passagem.

Curiosamente, no mundo artístico, cantor de grande sucesso que é também compositor de letra e música, adotou o nome artístico de Yoshi Ikuzo, que pode ser traduzido em linguagem coloquial exclamativamente a algo como “agora eu vou!”.

Referência

OTSUKI, Hiroshi; GRINDSTAFF, Bradley. Cultural keys: the history of japanese words and phrases. Tokyo: The Hokuseido Press, 1995.

Iochihiko Kaneoya

Formado em Direito e mestrando em cultura japonesa pela Universidade de São Paulo - USP. Pesquisador da cultura japonesa.

All stories by : Iochihiko Kaneoya

Leave a Reply