Idades especiais na cultura japonesa

Idades especiais na cultura japonesa

150 150 Paula Hidemi Kaneoya

Na cultura japonesa, existem idades especiais, algumas comemorativas, outras de azar.







Para os japoneses a forma de contagem kazoe-toshi (数え年) leva em consideração também o tempo de gestação, o que acresce um ano à idade cronológica.

Menino com 31 dias / Menina com 32 dias

É a primeira vez que a criança é levada ao santuário, sendo a primeira cerimônia pública de que participa, cujo nome é Omiyamairi (宮参り). É realizada com o objetivo de apresentar a criança ao ujigami (氏神 神社) – Deus da comunidade – e de orar pelo crescimento saudável e felicidade da criança. De acordo com algumas correntes do xintoísmo, o ser humano só passa a existir como ser sagrado, após essa apresentação.

Shichi-go-san | 七五三: 7-5-3, respectivamente

Celebram-se  os 3 e 5 anos dos meninos e os 3 e 7 anos das meninas. No dia 15 de novembro, as crianças vestem seus kimonos e, junto às famílias, vão aos santuários para orar por saúde, crescimento e felicidade das crianças. 

Confira mais informações no artigo “Shichi-go-san”.

Seijin no hi | 成人の日: Dia da maioridade

Os jovens que completaram ou vão completar 20 anos (二十歳 | hatachi)  no mês de Abril do ano anterior ou do ano corrente, comemoram o Dia da maioridade, celebrado na segunda segunda-feira do mês de Janeiro. As festividades incluem comemoração entre amigos e familiares e cerimônias da maioridade (成人式 | Seijin-shiki) que são realizadas nas prefeituras, com discursos de autoridades e pequenos presentes aos participantes. Nesta data, comemora-se a ampliação dos direitos e das responsabilidades dos jovens.

Toshi Iwai | 年祝い: Celebrações da longevidade

A partir do Kanreki (還暦), quando o homem de 60 anos comemora o início da velhice e a segunda infância, existem inúmeras celebrações referentes à longevidade, conhecidas como Toshi Iwai (年祝い). Estas envolvem visitas a santuários e festas de aniversários.

Confira mais sobre o assunto no artigo “O que os japoneses escrevem nos envelopes em cerimônias II”.

Yakudoshi | 厄年: Idades que dão azar

No Yakudoshi, os aniversariantes vão aos santuários para afastar o infortúnio e o azar

Yakudoshi (厄年) significa “anos críticos”, ou anos de calamidade. São determinadas idades em que as pessoas estão mais suscetíveis a desgraças, infortúnios e doenças. Os anos anteriores e posteriores (前厄 | maeyaku e 後厄 | atoyaku, respectivamente) a essas datas também são críticos, devendo-se tomar cuidado.

As idades de infortúnio para as mulheres são: 19, 33 e 37 anos, sendo o trigésimo terceiro aniversário o mais crítico, razão que se deve talvez pela forma como foneticamente soa a palavra. “33” pode ser pronunciado como “sanzan”, que significa duro, terrível ou desastroso.

Para os homens, as idades de 25, 42 e 61 anos simbolizam os anos de azar. O quadragésimo segundo aniversário é o considerado mais crítico, pela forma como a palavra é pronunciada. “42” pode ser pronunciado como “shi-ni”, que significa morte.

Com o objetivo de afastar o sofrimento e o azar, as pessoas vão aos santuários para cerimônias realizadas para este fim. Uma forma de afastar o azar é a realização de uma festa por amigos e familiares para o aniversariante, apoiando-o no ano de dificuldades e, no ano seguinte, o aniversariante realizar a festa aos mesmos, retribuindo e agradecendo o apoio concedido nesse ano.

Referências

CELEBRAÇÕES da longevidades: toshi iwai. In: Cultura japonesa. [S.l.]: Cultura japonesa, [s.d.]. Disponível em: <http://www.culturajaponesa.com.br/htm/kanreki.html>. Acesso em: 20 jan. 2013.

COMING of age day. In: Wikipedia. [S.l.]: Wikipedia, [s.d.]. Disponível em: <http://en.wikipedia.org/wiki/Coming_of_Age_Day>. Acesso em: 20 jan. 2013.

IWASHITA, Noriko. Kankon sousai no shikitari manaa jiten. 3.ed. Tokyo: Natsume, 2010.

JAPÃO em foco. Yakudoshi: as idades consideradas de azar no Japão. [S.l.]: Japão em foco, 2011. Disponível em: <http://www.japaoemfoco.com/yakudoshi-as-idades-consideradas-de-azar-no-japao/>. Acesso em: 20 jan. 2013.

Paula Hidemi Kaneoya

Bibliotecária formada pela Universidade do Estado de Santa Catarina - UDESC. Ministra oficinas de origami.

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