A influência do xintoísmo, pensamento chinês e zen na formação do bushido e a experiência zen de Eugen Herrigel

A influência do xintoísmo, pensamento chinês e zen na formação do bushido e a experiência zen de Eugen Herrigel

150 150 Paula Hidemi Kaneoya

HOFFMANN, Leonardo. A influência do xintoísmo, pensamento chinês e zen na formação do bushido e a experiência zen de Eugen Herrigel. 2008. 158 f. Trabalho de conclusão de curso (Graduação) – Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis.

RESUMO







Dentro da filosofia, este trabalho poderia ser do tema chamado ‘pensamento oriental’, visto que não se conclui se é ou não filosofia. Mais especificamente, trata do pensamento japonês, extremo oriente. Ele será abordado a partir do bushido, traduzido por ‘caminho do guerreiro’, que é a fundamentação e caracterização do que se poderia chamar de pensamento japonês, mas que em verdade se trata da maneira como eles viam e se comportavam perante o mundo e a vida – é considerado um código de ética, na verdade o pensamento e a razão não eram tidos em alta conta, mas por simplificação chamarei de ‘pensamento japonês’. O bushido não apenas será visto, mas também a sua origem, para que se possa compreender por que ele é o que é, e a partir de onde veio o que formaria a mentalidade japonesa. Para isso serão abordados os principais formadores do bushido: xintoísmo, pensamento chinês e zen budismo; em seguida será falado especificamente sobre o bushido, para então serem analisadas as influências de cada um destes três sistemas dentro do pensamento japonês. Finalmente, para que possa ser feita uma ponte com a filosofia que conhecemos, um capítulo sobre Eugen Herrigel, o filósofo alemão que morou no Japão e treinou a arte do tiro com arco sob orientação de um mestre zen, para vermos como um pensador da formação tradicional ocidental lidou com tamanho contraste do pensamento oriental.

Tendo em vista que na nossa formação escolar e universitária é muito pouco conhecido tanto o pensamento como a história oriental, no primeiro tópico será esboçada a história do Japão para que se possa contextualizar e familiarizar com o tema a ser tratado, servindo como uma base para começar.

Em seguida serão abordados os principais elementos da vida do guerreiro porque, apesar do bushido ter influenciado a nação japonesa como um todo, dizia respeito especificamente aos samurais, os lendários guerreiros japoneses. Por isso será descrito, não em profundidade, o seu modo de vida, sua origem histórica e dois de seus principais elementos: a katana – espada do samurai – e o harakiri – o suicídio ritual.

No quarto capítulo começa a explanação das três principais influências ao bushido; primeiramente com o xintoísmo, a única religião originalmente japonesa e, conseqüentemente, a única influência ao bushido que partiu do próprio Japão, não sendo importada.

A segunda é o pensamento chinês. Apesar de que o confucionismo – clássico e fundamental pensamento chinês – ganha grande destaque na formação do bushido – muitas vezes sendo citados como sua fonte o zen, xintoísmo e confucionismo, ao invés de pensamento chinês – considerei melhor englobá-lo no pensamento chinês. Isso porque conforme estudava este, percebi que vários pontos se assemelham ao bushido e, principalmente devido ao taoísmo, se assemelham ao zen, uma vez que este é uma união entre o budismo e o taoísmo. Mesmo que o taoísmo tenha influenciado o pensamento japonês indiretamente através do zen, conclui mais proveitoso esboçá-lo também para que fique clara a semelhança com o zen e, conseqüentemente, com o bushido. Assim, neste capítulo cinco será falado sobre o pensamento chinês de maneira geral, para então entrar no taoísmo e finalizar com o confucionismo.

A terceira e possivelmente a maior influência sobre o pensamento japonês é o zen budismo. É também um tanto complicado porque tem suas origens na Índia, com a vida de Buda, e no decorrer de sua história vai a China, apenas onde, junto ao taoísmo, começa o
que vem a ser o zen. Será tratado diretamente, sem recorrência a noções exclusivamente budistas e taoístas.

A decisão da ordem dos três parágrafos acima não é devido à cronologia, mas sim em ordem de simplicidade e, por exemplo, após o estudo do taoísmo é facilitada a compreensão do zen. Terminados estes três sistemas de pensamento, o capítulo seguinte tratará do bushido propriamente dito, por si só, deixando de lado os sistemas recém vistos. Há a sua origem, que remonta à origem dos samurais, então são descritos seus principais preceitos éticos, após o quê algumas palavras sobre o papel da razão no bushido, interessante para os filósofos; a maneira como os samurais viam a vida e, finalmente, uma conclusão, a que fim chega o bushido, visto que ele sofreu modificações ao longo da história.

Apenas no capítulo sete serão exploradas as influências que cada um dos sistemas de pensamento estudados provocou no pensamento japonês, sendo mantida a mesma ordem: xintoísmo, pensamento chinês e zen.

O último capítulo antes da conclusão é sobre Eugen Herrigel, onde será falado sobre sua vida e, principalmente, como se deu o seu caminho de aprendizagem no zen através da arte do tiro com arco. Por último algumas de suas palavras sobre o zen e a espada, visto a importância que ela tem dentro do bushido.

Na conclusão será retomada rapidamente a relevância de Eugen para a filosofia, tendo descoberto o zen; e revisto o bushido como proveniente da própria natureza japonesa, além do fim a que ele chega, através da contribuição combinada do zen, pensamento chinês e xintoísmo.

Palavras-chave: Xintoísmo. Confucionismo. Zen budismo. Filosofia. Eugen Herrigel.

Trabalho na íntegra: A influência do xintoísmo, pensamento chinês e zen na formação do bushido e a experiência zen de Eugen Herrigel

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