abr 23 2018

Relações entre moda e arte: novas possibilidades a partir da moda de vanguarda japonesa

Publicado por em artes,moda

SINZATO, Alice Yumi. Relações entre moda  e arte: novas possibilidades a partir da moda de vanguarda japonesa. 2011. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação) – Universidade do Estado de Santa Catarina, Florianópolis. Disponível em: <http://sistemabu.udesc.br/pergamumweb/vinculos/000000/000000000012/000012AE.pdf>. Acesso em: 20 abr. 2018.

 

RESUMO

Este trabalho busca estabelecer relações entre moda e arte, e reconhecer novas possibilidades através dos estilistas de vanguarda japonesa Rei Kawakubo,Yohji Yamamoto e Issey Miyake. Kawakubo e sua marca Comme des Garçons são o principal objeto de análise dessa investigação. Seus trabalhos carregam profundidade, conceito, expressividade visual e capacidade de gerar reflexão, características dignas de um discurso artístico. Além disso trazem consigo uma grande influência do pensamento japonês traduzido em estética, que questionam tradições ocidentais de vestuário ao expor imagens contrastantes que nos confrontam com nossas próprias convenções e abrem espaço para novos caminhos no vestuário, no modo de vida e na criação. A Comme des Garçons traz em suas coleções e no conceito da marca essa filosofia japonesa associada a características que podem ser relacionadas ao objeto e proposta da arte.

Palavras-chave: moda, arte, vanguarda japonesa, discurso artístico

Trabalho na íntegra: Relações entre moda e arte


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jun 20 2017

A dança butoh

A dança Butoh – 舞 踏

Surgiu no Japão na década de 50 com Tatsumi Hijikata (1928 – 1986) e Kazuo Ono (1906 – 2010), este seu mais conhecido divulgador.
Na sua origem tinha o nome de Ankoku Butoh (dança da total escuridão); hoje conhecida apenas por Butoh.
Definida como dança das sombras, sombras na escuridão, crazy dance ou free style, é ensinada por seus criadores mais como um modo de viver, uma filosofia de vida e não como dança.
Bu – 舞 – significa dança e Toh – 踏 – outra leitura para o verbo fumu, significa pisar. O criador Kazuo Ohno faleceu com 104 anos mas pisou no palco até os 103. Dizia que a prática do butoh não tem fim, porque é apenas o viver. “Eu não estou interessado em uma bela estrutura de dança nos moldes tradicionais. A Dança é um caminho de vida, não uma organização de movimentos”, ensinava. Hijikata, por sua vez, conceituava o butoh como uma rebelião à sociedade industrializada, tecnificada, massificada. As raízes do butoh nos remete a algo mais distante, na mitologia xintoísta, ao descrever como estratégia para tirar a deusa Amaterasu da caverna, a dança da deusa Ame-no-uzume que “dança como se estivesse possuída por uma divindade”, rasga suas vestes, descobre seus seios, mostrando parte do seu corpo.
Calcada fortemente na cultura japonesa, o butoh daí extrai a ideia de Caminho, conceito central na ética xintoísta – a religião primitiva do Japão. Viver é apenas estar no Caminho; para o butoh, estar no palco, e aí expressar todo o eu: o corpo nu, desprovido das fantasias e paradigmas sociais da linguagem das vestes e a alma solta, para apresentar livremente a individualidade do verdadeiro eu, sem as máscaras: as imperfeições, o oculto, a fraqueza, a dor, o medo, a angústia, o desespero. “É a rejeição da superficialidade do banal, é deixar o corpo falar por ele mesmo”, definia outro mestre do butoh. Ao se rejeitar o banal, mergulha-se em outro tipo de beleza: “a beleza das coisas imperfeitas, impermanentes, incompletas, modestas, humildes e não convencionais”, como os japoneses conceituam o wabi-sabi – outra ideia sobre que se funda a cultura japonesa. “Sugere o fato essencial e evidente da impermanência e por isso desencadeia no espectador uma contemplação serena que é unida à compreensão da fugacidade de tudo o que existe. Ao tomar consciência dessa fugacidade, contemplamos a vida a partir de outra perspectiva”, como a conceitua Miralles.
Não há estilo no butoh: vai do grotesco ao austero; do erótico ao cômico; por vezes é visto como surreal, de dançarinos/atores andróginos. Caracteriza-se mais pela intensa expressividade das condições humanas primitivas em detrimento da beleza plástica do cenário e dos dançarinos; estes fluem no palco e mesmo os micro-movimentos são intensos, como espasmos a denotar o início ou o estertor da vida.
O corpo nu, maquiado de branco em fundo escuro (shades of darkness) – como o negativo da sombra do corpo ao sol – , e os pés descalços – movimentam-se tocando diretamente o solo, sem intermediários entre o homem e sua origem/destino, por onde rasteja seu corpo mergulhado, deitado, integrado ao real agressivo, caótico, indiferente às necessidades de seu interior. Este, inconformado, mostra-se então, assustado, amedrontado, sofrido. Os pés tocam no chão real e o coração mostra o padecimento da dor e o momento angustiante do desejo de fuga. Os pés tocam a existência, o coração, a essência.
Mostrar o homem com sua alma nua, verdadeira, real, é de onde o butoh tira sua maior força como expressão artística. Não pretende mostrar a eternidade da beleza da arte mas a arte da finitude que envolve a vida, e enquanto vida, a angústia, o sofrer, os nossos “demônios de significado universal” interiores.

Referências:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Butoh
http://www.mimus.com.br/solange2.pdf
http://www.japantimes.co.jp/culture/2016/05/28/books/book-reviews/butoh-dance-death-disease/#.WUGalBgrJEY
Koren, Leonard Wabi-sabi. Imperfect Publishing Point Reyes, California, 2008.
Miralles, Francesc. Wabi-sabi. Editora Record. Rio de Janeiro, 2017


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