out 31 2012

A mulher-da-boca-rasgada | 口裂け女

http://villains.wikia.com/wiki/Kuchisake-onna

A mulher-da-boca-rasgada (口裂け女 – em japonês, “Kuchisake onna”) é um youkai – classe de criaturas sobrenaturais do folclore japonês. Trata-se de uma lenda urbana de mulher muito bonita, de cabelos longos e pretos, que possui a boca rasgada de orelha à orelha. Diz-se que ela usa uma máscara cirúrgica – comum ser usada no Japão, quando uma pessoa está resfriada ou gripada – e um casaco longo, que esconde um objeto cortante, como tesoura, foice, navalha etc.

A origem da mulher-da-boca-rasgada possui diferentes versões. Uns dizem que ela é o espírito vingativo de uma mulher que fora mutilada pelo marido ciumento, outros dizem que a sua boca está relacionada a uma cirurgia plástica mal sucedida ou ainda, que sua aparência é consequência da inveja que uma de suas irmãs tinha por sua beleza.

A mulher-da-boca-rasgada se aproxima de suas vítimas e pergunta “Watashi kirei?” (Você me acha bonita?), se a pessoa responde “não”, ela é assassinada. Se responde “sim”, ela retira a máscara e pergunta “Kore demo kirei?” (Mesmo assim?). Se a pessoa responde que “não”, a mulher-da-boca-rasgada a mata. Se responde “sim”, ela corre atrás da vítima – diz-se que corre muito rápido, sendo impossível não ser pego – e corta a sua boca como a dela.

Para se proteger ou escapar dela, existem algumas formas:

– a resposta correta para a pergunta “Você me acha bonita?” é “mais ou menos” ou “normal”. Desta forma, ela fica pensando em o que fazer com a vítima, dando tempo para a fuga;

– se, como resposta, a vítima retrucar à pergunta da mulher: – “Você me acha bonito/a?”, ela ficará confusa e irá embora;

– caso ela pergunte “Você me acha bonita?” e a vítima responder que não tem tempo para isso, pois tem um compromisso; ela pedirá desculpas e irá embora;

– ela gosta de balas. Se a vítima der balas à ela, terá tempo de escapar;

– ela não gosta do cheiro do creme para cabelo de homem (“pomado”), portanto se ela ouvir “pomado, pomado, pomado”, ela foge.

Referência

KUCHISAKE-ONNA. In: Wikipedia.[S.l.]: Wikipedia,[s.d.]. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Kuchisake-onna>. Acesso em 27 out. 2012.

KUCHISAKE-ONNA. In: Wikipedia.[S.l.]: Wikipedia,[s.d.]. Disponível em: <http://en.wikipedia.org/wiki/Kuchisake-onna>. Acesso em 27 out. 2012.

KUCHISAKE-ONNA. In: Wikipedia.[S.l.]: Wikipedia,[s.d.]. Disponível em: <http://ow.ly/eUM3z>. Acesso em 27 out. 2012.

NAGATA, Mikako; NAKASAKO, Kazuhiko. Nihon no youkai jiten & toshi densetsu. Tokyo: Oizumishoten, 2011.


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out 23 2012

A mulher da neve | 雪女

A mulher da neve (雪女) é um tipo de youkai (妖怪) – classe de criaturas sobrenaturais do folclore japonês. Youkais podem possuir formas animais,  humanas, de objetos inanimados ou ainda, sem forma discernível.

Também conhecida como Yuki-bamba, yuki-joro, yuki-neesa, shokkenken, yukinba, yukiba-jo, a mulher da neve tem cabelos compridos, é muito pálida, usa kimono branco e é muito bonita. Diz-se que ela é o espírito da neve, mas fala-se também que ela é a princesa da lua.

O encontro com a mulher da neve acontece em noites de nevasca e suas características variam regionalmente. Em Niigata, acredita-se que ela congela as pessoas até a morte e retira o coração das crianças. Em Iwate e Miyagi, ela rouba a alma das pessoas e em Ibaraki, ela chama por transeuntes e, caso seja ignorada, os empurra para as ravinas. Também passa por “ubume”, uma mãe-fantasma, em Aomori. Traz uma criança no colo e pede às pessoas que a segurem. A criança então cresce de forma assustadora e mata esmagado quem a segura. Quem recusa, é morto pela mulher da neve.

Apesar do encontro com a mulher da neve ser extremamente perigoso e assustador, existem formas de se livrar da morte certa, por exemplo: ela se derrete ao ingerir comida quente ou ao se banhar no ofurô – banheira quente, oferecidos pela hospitalidade do anfitrião. Há regiões em que a mulher da neve aparece em casas de família e, caso seja bem tratada, pela manhã, ela se transforma em moedas de ouro e traz felicidade.

Embora a aparição da mulher da neve esteja relacionada a noites de nevasca, em algumas regiões do Japão, acredita-se que ela apareça em datas fixas. Em Iwate, ela aparece entre os dias de 14 e 16 de janeiro e em Aomori, no primeiro dia do ano. Costuma aparecer nas regiões Nordeste, Sul, Centro e em  Kanto.

Lafcádio Hearn, escritor grego que viveu no Japão, conhecido também como Koizumi Yakumo, em seu livro “Writing from Japan”, escreve sobre a mulher da neve, história que pode ser conferida também no filme de Masaki Kobayashi, “Kwaidan”. A mulher da neve também é retratada no terceiro sonho apresentado no filme “Sonhos”, de Akira Kurosawa.

Há uma lenda menos famosa que fala sobre um homem da neve, de apenas uma perna e um só olho. A história é parecida com a da mulher da neve. Em Gunma e Toyama, ele é conhecido como yuki nyudo ou yukinbo, em Wakayama. Diz-se que no dia seguinte às nevascas, é possível ver o rastro de um só pé na neve.

A mulher da neve (Conto de Lafcádio)

Nessa história, dois lenhadores da vila de Musashi, Mosaku e Minokichi – um senhor e seu aprendiz -, vão a uma montanha a cinco milhas de sua vila para coletar lenha. No caminho, havia um rio cuja ponte era destruída a cada enchente, por isso, havia ali também um barco. Em uma noite fria, quando estavam retornando às suas casas, se iniciou uma forte nevasca. O senhor que fazia o transporte de barco já havia deixado o posto. Como não era uma boa situação para atravessar o rio a nado, resolveram aguardar a tempestade passar, ficando na cabana do barqueiro. Minokichi, o aprendiz, fechou a porta da cabana e os dois resolveram descansar. Enquanto dormiam, a porta da cabana se abriu e, quando Minokichi acordou, viu uma mulher de longos cabelos pretos e kimono branco inclinada sobre Mosaku. Ele a viu soprar no rosto de Mosaku, congelando-o até à morte. A mulher-da-neve então se virou para Minokichi e, encarando-o, disse que sua intenção era dar o mesmo destino a ele, porém, como era um jovem novo e bonito, ela o deixaria viver, contanto que jamais contasse o que aconteceu nessa noite a ninguém, nem mesmo à sua mãe. Caso contasse, ela saberia e voltaria para matá-lo. A tempestade passou e Minokichi retornou à vila. Minokichi ficara doente com o frio que passara nas montanhas e sua mãe cuidou de sua saúde até que se recuperasse e pudesse retornar ao trabalho.

Quando Minokichi retornou às montanhas, já na primavera, no caminho de casa, encontrou com uma bela jovem, chamada O-Yuki. Seus pais faleceram recentemente e ela se encaminhava a Edo para morar com parentes. Conversaram durante o caminho e, quando chegaram próximo à casa de Minokichi, ele a convidou para descansar. Muito bonita prestativa e simpática, a mãe de Minokichi sugeriu adiar a viagem e ficar um pouco com eles. A estada se prolongou e  Minokichi se casou e teve filhos com O-Yuki. Dias e anos se passaram. Eram uma família feliz.

A mãe de Minokichi falecera e, um dia quando O-Yuki ia visitar o túmulo com suas crianças, encontrou com as senhoras da vila, que comentavam sobre como O-Yuki era bela e que aparentava ser tão jovem quanto o dia em que chegou à vila. As senhoras disseram a ela que Minokichi era sortudo por ter uma esposa tão boa, tão bela e jovem, que normalmente as mulheres camponesas após terem filhos, envelheciam muito rápido, ao contrário dela.

Uma noite, quando as crianças já estavam dormindo, O-Yuki costurava kimonos sob a luz de uma lanterna de papel. Por alguns instantes, Minokichi ficou olhando sua bela esposa e disse a ela que era muito bonita, jovem, de pele linda e muito branca, e que somente havia visto uma pessoa tão bela quanto ela. Minokichi disse que nunca havia dito nada a ninguém, mas que há muitos anos, quando ainda era jovem, encontrou uma mulher linda como ela, que havia congelado seu mestre com um sopro, matando-o, em uma noite de nevasca. Disse que não sabia se era um sonho ou se era realidade, mas que não tinha contado nada a ninguém, pois temia aquela mulher. Nesse instante, O-Yuki se vira para Minokichi e revela que era ela. E que ele a traiu, pois havia prometido não contar a ninguém. Sendo assim, ela teria que matá-lo, mas não o faria pelas crianças que  dormiam no cômodo ao lado. Disse então que cuidasse muito bem delas, pois caso alguma tivesse uma razão para reclamar do pai, ela retornaria e o castigaria. Mesmo gritando, sua voz se tornou fina como o choro do vento e ela se derreteu em uma brilhante e branca névoa até sair pela chaminé da casa. Ela nunca mais foi vista na vila.

REFERÊNCIAS

FOLKLORE of Japan. [S.l.]: The Spirit Captive, [s.d.]. Disponível em: <http://book.ioreth.org/folklore.html>. Acesso em: 22 out. 2012.

HEARN, Lafcádio. Writings from Japan: an anthology edited, with an introduction, by Francis King. [S.l.]: Penguin Books, [1984].

LAFCADIO HEARN. In: Wikipedia. [S.l.]: Wikipedia, [s.d.]. Disponível em: <http://en.wikipedia.org/wiki/Lafcadio_Hearn>. Acesso em: 22 out. 2012.

NAGATA, Mikako; NAKASAKO, Kazuhiko. Nihon no youkai jiten & toshi densetsu. Tokyo: Oizumishoten, 2011.

YOUKAI. In: Wikipedia. [S.l.]: Wikipedia, [s.d.]. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Y%C5%8Dkai>. Acesso em: 22 out. 2012.

YUKI-onna. [S.l.]: The Obakemono Project, [s.d.]. Disponível em: <http://www.obakemono.com/obake/yukionna/>. Acesso em: 22 out. 2012.


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