set 15 2008

Konpeito [金平糖] | Confeito japonês de origem portuguesa

http://www.hidemi-co.com/images/products/00141_3.jpg

O konpeito – do português confeito – foi trazido ao Japão no século XVI pelos portugueses. Segundo relatos, o padre jesuíta Francisco Xavier, após converter o primeiro japonês – um samurai chamado Anjiro, fugitivo de sua cidade natal pelo assassinato de um homem – na Malásia, partiu rumo ao Japão para pregar. Para obter a licença para a sua ação missionária, ele apresentou ao daimyo da época, Oda Nobunaga [織田信長], um frasco de konpeito.

Na época, este doce era restrito à nobreza, devido a sua beleza composta por esferas coloridas de 5 a 10 cm de diâmetro, envoltos por minúsculos “espinhos” de açúcar.

O processo do fabrico de konpeito era mantido em segredo pelos portugueses e a sua preferência em vendê-los para os japoneses como um doce raro, tornou konpeito cada vez mais valioso e cobiçado. Até que no período Edo o segredo foi descoberto pelos artesões de Nagasaki, Kyoto e Edo (atual Tóquio) e a iguaria difundiu-se pelo país todo.

Atualmente, konpeito ainda é um sucesso entre as crianças. Além da variedade de cores (laranja, roxo, verde, amarelo e branco), também é bastante utilizado como adoçante de chás e cafés. Tradicionalmente aparecem como integrante da cerimônia do chá e nas prateleiras de Hina Matsuri [ひな祭り], o dia das meninas comemorado em 3 de março.

O povo japonês diz que o konpeito, pela sua beleza e delicadeza, manifesta uma história de amor ou uma celebração da essência da simplicidade, assim como uma flor, um orvalho, ou ainda um pôr do sol.

Fontes:

http://www.konpeitou.jp/index_m.html

http://www.culturajaponesa.com.br/htm/quandoportugueses.html

http://www.biwa.ne.jp/~futamura/sub26C.htm

http://www.ebisudo.com/konpeito_hiroba/home2.html

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ago 25 2008

Os 47 ronins

http://en.wikipedia.org/wiki/Forty-seven_Ronin

No começo do século XVIII, o Japão era governado por Tokugawa Tsunayoshi [徳川 綱吉] (1646 – 1709), um entusiasta da arte. Incentivava as letras e a ciência através da fundação de escolas e da proteção aos artistas.

O shogun chamou o daimyô de Ako (atual região de Hyogo), Asano Takuminokami Naganori [浅野長矩] (1667 – 1701), para exercer uma função similar ao dos taikomochis: entreter os convidados imperiais em Edo. Como Asano, até então, tivera pouco contato com as cerimônias da corte, Kira Kozukenosuke Yoshinaka [吉良義央] (1641 – 1702), um alto funcionário de Tsunayoshi e especialista em cerimômias, foi escalado para treinar o recém-chegado daimyô.

Mas Kira era um homem corrupto e, indignado, queria que Asano o recompensasse financeiramente pelo incômodo. Iniciou-se então uma turbulenta relação. Kira insultava o seu aluno com freqüência, não perdia uma oportunidade sequer de humilhá-lo, até que no final de março de 1701, irritado pelas atitudes de Kira, Asano desembainhou sua espada e avançou sobre seu professor ferindo-o levemente na face.

Qualquer ato violento nas dependências do castelo de Edo era considerado uma ofensa ao shogun e, portanto, Asano foi ordenado a cometer o seppuku. Antes de morrer, o daimyô escreveu:

風さそう 花よりもなお 我もまた 春の名残を いかにとかせん
Kaze sasou Hanayorimonao Waremomata Harunonagoriwo Ikanitokasen
As flores que caem não querem partir, mais frustrado do que as flores, o que devo fazer?

O clã de Ako foi confiscado e os 300 samurais de Ako tornaram-se ronins, samurais sem daimyô e conseqüentemente sem sustento. O clã se dispersou, mas foi formado um pequeno grupo de 47 pessoas que planejaram vingar a morte de seu daimyô. Entre estes, destacou-se um fiel guerreiro chamado Oishi Kuranosuke Yoshitaka [大石良雄], também conselheiro de Asano.

Sabendo que Kira aumentaria a sua segurança, Oishi ordenou que todos os 47 samurais dessem continuidade às suas vidas de modo a não despertar suspeitas, que vivessem como se tivessem abandonado o código de conduta dos samurais. Alguns viraram carpinteiros, alguns pescadores e outros mendigos. Oishi passou a viver em prostíbulos e renegou sua família.

Certo dia, um samurai de Satsuma (hoje Kagoshima) reconheceu Oishi jogado na rua completamente alcoolizado. Enfurecido pela covardia do bêbado, o transeunte chutou-o no rosto e cuspiu nele com desprezo.

Os espiões contratados por Kira relataram a vida desregrada dos possíveis vingadores e a segurança foi afrouxada. Até que na madrugada de 14 de dezembro de 1702, quase 1 ano e meio após a morte de Asano, sob forte neve, os 47 samurais atacaram a mansão de Kira em Edo.

Divididos em dois grupos, um liderado por Oishi e outro por Chikara (filho mais velho de Oishi), pegaram os guardas desprevenidos e logo dominaram a situação. Mas Kira tinha fugido. Rapidamente Oishi organizou uma busca e descobriram uma passagem secreta que levava a um pátio onde estava Kira, algumas mulheres e dois guardas. Os ronins mataram os guardas e o líder, em respeito ao alto posto de Kira, ajoelhou-se na frente do covarde e lhe explicou porquê aqueles 47 samurais estavam ali e convidou-o a morrer com dignidade cometendo o seppuku. Aterrorizado, Kira não disse uma palavra sequer e Oishi ordenou a decapitação.

Antes de se entregarem às autoridades, os 47 ronins levaram a cabeça de Kira até o túmulo de Asano. Na ocasião Oishi escreveu:

あら楽し 思いは晴るる 身は捨つる 浮き世の月に かかる雲なし
Aratanoshi Omoi-ha-sururu Mi-ha-sutsuru Ukiyo-no-tsuki-ni Kakaru-kumonashi
Estou feliz. Realizei o meu desejo e agora é a hora de morrer. Não existem nuvens na lua da minha vida.

Conforme o esperado, todos os 47 foram condenados à morte por terem assassinado um funcionário do governo. Mas em vez de serem executados, em respeito à lealdade dos samurais, em 4 de fevereiro de 1703, foi-lhes dado o direito de cometerem o seppuku. Todos eles foram enterrados ao lado de seu daimyô no templo de Sengakuji.

Diz a lenda, que o samurai de Satsuma que chutou Oishi, sabendo da verdadeira história, foi até Sengakuji pedir perdão e cometeu o seppuku. Ele também foi enterrado ao lado dos ronins.

Fontes:

http://www.samurai-archives.com/ronin.html

http://blog.360.yahoo.com/blog-8KBrr7Q6NasHqeIWJ4aCiQ–?cq=1&p=334

http://japan.chez-alice.fr/Culture/Japan/47Ronin.htm

http://en.wikipedia.org/wiki/Forty-seven_Ronin

Revista Grandes Guerras

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