nov 19 2012

Shichi-go-san | 七五三

 

O Shichi-go-san (七五三) é comemorado no dia 15 de Novembro. Nesta data, meninas de 3 e 7 anos e meninos de 3 e 5 anos, vestidos em kimonos especiais, vão aos santuários com suas famílias para pedir por saúde, crescimento e felicidade. No passado, a importância desse festival estava relacionado ao alto índice de mortalidade infantil. A cada etapa significativa atingida era motivo de celebração. A mortalidade infantil já não assusta o Japão como antigamente, mas permaneceu a tradição da festividade.

Shichi-go-san significa, literalmente, sete, cinco e três, números que indicam boa sorte e idades consideradas marcantes na vida de uma criança. Na época dos samurais, crianças até três anos deviam ter o cabelo raspado. De acordo com a tradição do Shichi-go-san, meninos e meninas de três anos, pela primeira vez, são permitidos a deixarem o cabelo crescer, porque estão deixando o estado de bebê. As meninas dessa idade vestem um san-sai-furisode (kimono para menina de três anos), amarrado por uma faixa de seda,  e por cima, um colete chamado hifu. Os temas dos kimonos, assim como as das meninas de sete anos, remetem à infância e às flores.

Aos cinco anos, o menino veste seu hakama (vestimenta masculina tradicional) e o usa em público pela primeira vez. Faz conjunto com o hakama, o haori – jaqueta de seda -, completando o vestuário típico samurai. O haori é estampado com temáticas que se referem aos samurais, sendo, por vezes,  representações de célebres guerreiros. Era quando o menino filho de samurais era apresentado ao senhor do seu feudo.

Aos sete anos, a menina celebra vestindo o seu primeiro obi (faixa de tecido), sustentando o nana-sai-furisode (kimono para meninas de sete anos), cujo tema remete à infância. Acessórios que acompanham kimonos de luxo também são usados nessa ocasião.

O festival teve início no período Heian (794~1185), quando a nobreza celebrava o crescimento de seus filhos em um dia de sorte de Novembro. Durante o período Kamakura (1185~1333), ficou estabelecido que o festival aconteceria no dia 15 do mês em questão. No período Edo (1603~1868) essa prática se tornou comum à população em geral,  que visitava os templos para receber as preces oferecidas pelos monges, tradição que continuou a ser seguida pelos japoneses.

Chitose ame (千歳飴)

Na ida ao templo, as crianças recebem amuletos e uma sacolinha com o doce tradicional Chitose ame (bala dos mil anos). Com o formato de um tubo de cores branca e vermelha, diz-se que esse doce confere mil anos de felicidades para as crianças que o recebem.

A sacolinha possui um desenho da tartaruga e do tsuru, símbolos da longevidade no Japão. Esse significado surgiu a partir do ditado “tsuru wa sen nen, kame wa man nen” (o tsuru vive mil anos e a tartaruga, dez mil anos). Os outros elementos representados significam: o pinho simboliza prosperidade, pois nunca altera sua cor verde; o bambu significa modéstia, inocência e cresce sempre reto, voltado para o céu; a flor do pessegueiro está relacionada à felicidade e prosperidade; o casal de velhinhos representa a longevidade;  e o mar, a purificação.

Referências

JAPAN National Tourism Organization. Holidays, occasions and events. [S.l.]: JNTO, [s.d.]. Disponível em: <http://www.jnto.go.jp/eng/indepth/cultural/experience/ab.html>. Acesso em 19 nov. 2012.

SHICHI-Go-San: festival sete-cinco-três. In: Cultura Japonesa. [S.l.]: Cultura Japonesa, [s.d.]. Disponível em: <http://www.culturajaponesa.com.br/htm/753.html>. Acesso em: 18 nov. 2012.

SHICHI-Go-San. In: Go Japan Go. [S.l.]: Go Japan Go, [s.d.]. Disponível em: <http://www.gojapango.com/culture/shichi-go-san.html>. Acesso em: 18 nov. 2012.

SHICHI-Go-San. In: Wikipedia. [S.l.]: Wikipedia, [s.d.]. Disponível em: <http://en.wikipedia.org/wiki/Shichi-Go-San>. Acesso em: 18 nov. 2012.


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nov 14 2012

Concerto Japão 4 Estações

Duo de canto e violão com Masami Ganev e Igor Ishikawa 

Com o Concerto Japão 4 Estações a soprano Masami Ganev, japonesa de nascimento e radicada no Brasil há 15 anos e o violonista Igor Ishikawa se apresentaram no Auditório Jurerê Classic, na cidade de Florianópolis no último dia 10 de novembro. Com arranjos e adaptações de Igor, Masami cantou canções desde o Japão tradicional, aos sucessos mais recentes, começando pela primavera, passando pelo verão, outono, inverno e fechando o ciclo, encerrando novamente com canções da primavera.

No Japão as estações são bem definidas, o que molda também os costumes, a indumentária, a culinária e as artes. Na poesia, as estações do ano são o único tema do haikai, chamada kigô. Entre as músicas de uma estação e outra, foram lidos haikais de poetas brasileiros com temas brasileiros.

Merecem destaque, além da apresentação de ambos, o solo de violão de Igor e a declamação de Masami na música “Akai kutsu” (sapatinhos vermelhos). Num dos solos, o violonista contou a história da música “Ookina furudokei” (antigo relógio grande): fora comprado como homenagem ao nascimento de um menino e funcionou até quando o ex-menino morreu aos 90 anos. E o relógio parou de funcionar. No solo, o músico fez a corda do violão, aos poucos, morrer com o dono do relógio. Podia-se ouvir o sereno e longo suspiro da despedida. Na música “Akatonbo” (libélulas vermelhas), Masami recordou sua infância no Japão, quando brincava com as libélulas que vinham pousar nos arrozais cacheados de dourado.

O texto que apresentou o Concerto:

No Japão, como mensageiros da impermanência e da renovação, as estações do ano vêm e vão com sua roupagem própria, nítidas e distintas no seu vôo contínuo e incessante, inspirando os costumes, a culinária, as artes, a poesia e a música. Na poesia, as quatro estações são o tema do haikai.

Os animais, as plantas e os homens se adaptam às condições de cada estação para sobreviver, crescer e se perpetuar.

As folhas da árvore caem no outono e outras novas surgem na primavera. A cada primavera a árvore se renova e os galhos ganham brotos que se transformam em novos galhos. Isso faz a árvore crescer sempre um pouco mais ao término de cada ciclo, e suas raízes ficarem mais profundas. É no recolhimento do inverno que a árvore acumula a força necessária para o crescimento a cada renovação. Todo tempo de espera é tempo de crescimento e aprendizagem.

A vida é um fluxo contínuo constituída de tempos que se renovam, assim como as estações do ano. Tudo é mutável, nada é permanente.

Sempre a primavera, nunca as mesmas flores – resume com perfeição a mutação e a renovação, o ciclo do eterno retorno. Quando respeitamos os ciclos, a vida flui mansa e plenamente, se renova e permitimos nossa própria evolução.

Primavera

Ah! estas flores de ouro,

que caem do ipê, são brinquedos

pr’as criancinhas pobres…

O ipê-amarelo – arvore-símbolo do Brasil -, que recobre de efêmero ouro seus galhos sem folhas anunciando a chegada da primavera, traça um bonito paralelo com a cerejeira, a árvore-símbolo do Japão, cuja florada branca e rosa, é igualmente efêmera e recobre os galhos sem folhas no início da estação.

É o início de um novo ciclo quando a vida retoma suas atividades após o recolhimento do inverno. Surgem os primeiros ventos aquecidos pelo sol mais abundante; a neve e o gelo começam a derreter, os rios voltam a correr. Nascem os primeiros brotos das árvores e os campos ganham uma cor verde de tom claro e fresco. Tudo volta a pulsar. O silêncio do inverno é quebrado pelo canto dos pássaros e das cigarras. É a época das flores, do passeio das abelhas, de colher o mel, e do acasalamento dos animais. É o momento de semear os campos.

Verão

Calor. Nos tapetes

tranquilos da noite, os grilos

fincam alfinetes.

 É nessa fase que o hemisfério norte recebe a iluminação máxima do sol. É o momento do auge, da plenitude, de noites curtas e dias longos. As plantas e a terra transpiram mais, o céu fica mais carregado de nuvens, os tons da primavera se intensificam num verde mais escuro. Chove torrencialmente, o calor é intenso, a vida entra em ebulição. Os filhotes recém-nascidos crescem mais fortes com a abundância de alimentos. É o momento de aproveitar a generosidade da Natureza, a liberdade e o conforto dos dias longos e ensolarados.

 Outono

 Uma folha morta.

Um galho no céu grisalho.

Fecho a minha porta. 

Depois do calor e da claridade do verão, chega o declínio, o preparo para o adormecer do inverno. Com a queda da temperatura, os animais começam a se preparar para a época do retiro. A Natureza agora produz os últimos frutos que os animais e os homens precisam ingerir e estocar para atravessar o frio que se aproxima. As árvores viçosas do verão começam a poupar energia e mudam de cor, passando para o amarelo, laranja, vermelho e ocre, antes de deixarem cair ao chão suas folhas, estendendo-se como tapete para receber o inverno. É a época da nostalgia, da melancolia, da senectude.

Inverno

Ah! o chimarrão quente!

O frio forte dos pampas

foge um pouco assim!… 

Nessa época o sol já não aquece nem ilumina o hemisfério norte como em outras estações. Agora as noites são bem longas e os dias curtos. A vida se paralisa, apaga o verde-vida das paisagens, emudece os pássaros e os insetos. O manto branco que congela rios e lagos reveste também os galhos nus das árvores. As cores do outono desaparecem, esmaecidas pelo branco infindo da neve. No frio silente, só o uivo do vento.

Os animais se abrigam em suas tocas, e as pessoas se abrigam em suas casas à beira da lareira. É a estação do recolhimento, da introspecção, da reflexão, do retiro para o eu interior, como os animais que se recolhem para a longa hibernação. E no benfazejo recolhimento da reflexão e aprendizagem, move-nos a serena alegria da espera das primeiras brisas da primavera, quando um novo ciclo se inicia.

Referência bibliográfica:

OTSU, Roberto. A sabedoria da natureza. São Paulo: Ágora, 2006.


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