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mar 25 2008

A alma do povo japonês | Conseqüência no ideário do guerreiro

ryudragon.uol.com.br

Por quase 700 anos o Japão foi governado por militares. Sob o governo do shogunato, o Japão, com poucas exceções, isolou-se do mundo ocidental, mantendo entretanto, ligações com os reinos da Coréia e da China, ocupadas sob o shogunato de Toyotomi Hideyoshi. Porém, antes mesmo do governo dos shoguns, o Japão já havia trazido destes países uma cultura mais avançada: a cerimônia do chá, a carpintaria, a pintura, a fundição de metais, a escrita, o budismo, o confucionismo e a organização política, entre outros.

Instalado o shogunato, o governo dos militares encontra poderoso efeito catalisador nas ideologias ético-religiosas do povo, uma das razões que podem explicar tão longo reinado dos shoguns.

O budismo molda o guerreiro ideal: dá-lhe conforto espiritual no destino, aceitação do inevitável, compostura estóica frente às adversidades, desapego à vida e destemor diante da morte; o xintoísmo deu ao guerreiro a elevada consciência de ser um povo descendente de deuses, homens superiores, portanto; aprendeu a lealdade ao superior, o respeito aos ancestrais e a piedade filial. A ética confucionista, em tudo convergente com os ideais religiosos, enriquece o já rico ideário religioso-filosófico ao pregar as virtudes da honestidade, da sabedoria e da benevolência ao vencido.

A sabedoria como obrigação moral pregada pelo confucionismo e como caminho para a iluminação na doutrina budista, faz do samurai também um cultor das artes intelectuais, o que ficou conhecido como Bun-bu-ryodo, o caminho da espada e do pincel. Inúmeros samurais dedicaram-se também à poesia, pintura e à religião tornando-se monges.

Deste amplo ideário ético-religioso-filosófico surge o Bushidô, literalmente, o caminho do guerreiro, cujos princípios altamente morais norteavam o comportamento do samurai, e por isso, era mais um código de honra, cuja obediência por si só já constituía alta honra

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mar 25 2008

A alma do povo japonês | Conseqüências políticas

http://madeinjapan.uol.com.br

Trazidas da China, a princípio como produtos culturais de uma sociedade altamente desenvolvida, cedo os shoguns perceberam a eficácia das doutrinas do budismo e do confucionismo como instrumento de controle dos governados.

Entretanto os monges budistas se fortaleceram excessivamente com seus exércitos particulares, o que levou o governo, após a Restauração Meiji de 1868, a extingui-los todos, mantendo apenas o Exército Imperial e a declarar o xintoísmo a religião oficial do Japão passando a estimular seu culto entre o povo, inclusive nas escolas.

A cultura milenar da crença de serem descendentes protegidos da deusa Amaterasu, fez de seu povo orgulhosos guerreiros. A ocidentalização extinguiu a classe dos samurais, mas o caldo cultural para o nascimento do militarismo estava formado.

Tal crença era corroborada por fatos anteriores: por ocasião das duas invasões mongólicas, em 1274 e 1281, sob a liderança de Kublai-Khan, neto de Genghis-Khan, um furacão soprou adernando inúmeras embarcações e o país se salvou do massacre certo. O vento passou a ser chamado de vento divino, kamikaze. No século XVI o Japão conquistara a Coréia e a China, mas retirou-se pela morte de Toyotomi Hideyoshi; em fins do século XIX venceu a China, em 1905 ganhou da Rússia tomando-lhe metade da Ilha Sakhalina e Port Arthur, devolvidas posteriormente após a derrota na Segunda Guerra.

Somente mais tarde, a Europa assistiria ao nascimento do nacionalismo, porém, menos feroz, menos aterrador do que o nacionalismo japonês.

Até a última guerra mundial, era país que nunca havia perdido uma guerra. Como não acreditar ser um povo divino?

Mencionem-se ainda as religiões ocidentais cristãs, de menor influência. Trazida por Francisco Xavier em 1549, o catolicismo foi duramente combatido por alguns shoguns que nele viam uma ameaça de conquista do país pela doutrinação do povo. A pouca popularidade deveu-se, sobretudo, pela antinomia da doutrina cristã em relação ao que se praticava no Japão.

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