abr 09 2012

Etimologia do kanji

Kami – 神 (deus, deuses)

O kanji é formado pelo radical à esquerda (shimesu-hen) que significa por si só, mostrar, apontar, exibir ( verbo shimesu – 示す). Sua origem indica elementos da natureza – o sol, a lua e a estrela – sobre os quais se deposita alguma oferenda – o altar primitivo – indicada pelos traços acima dos símbolos pictográficos. Acreditava-se que os espíritos (os poderosos, da natureza) se manifestavam por esse processo; passou a significar o lugar onde estão os espíritos. O complemento da direita representa nuvens sendo cortadas por um longo e potente raio: isto é a voz dos deuses, os espíritos estão falando; e é exatamente esse o verbo representado por essa parte: (verbo mousu – 申す) falar, declarar, proclamar. É verbo polido, de respeito, usado para declarações formais ou para superior hierárquico. Uma outra origem, citada por Katsumi Yamada, são as costelas e a espinha dorsal na vertical com o significado de corpo erecto. Kami significa então, os espíritos que falam, que se manifestam junto a um altar. Na falta de melhor tradução, o Ocidente traduziu o termo kami por Deus ou deuses.

Toru – 取る (pegar, apanhar, ter nas mãos, possuir, controlar)

O radical à esquerda é o kanji pictográfico simbolizando orelha (mimi –耳); o da direita é uma das variantes para “mão”. Pegar ou ter sob controle pessoa ou animal era tê-lo ao alcance do ouvido.

Referências

WILLIAMS, Noriko Kurosawa. The key to kanji. [S.l.]: Cheng & Tsui Company, 2010.

YAMADA, Katsumi; SHINDO, Katsumi. Kanji jigen jiten: kadokawa gakugei shuppan. [S.l.]: [s.n.], 1995.

TSUJI, Yoshiaki. Kanji no naritachi jiten: kyoiku shuppan. Tokyo: [s.n.], 1993.


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mai 08 2008

Saquê [酒] | A bebida da prosperidade

http://flickr.com/photos/torek/377460029/

O saquê [酒] é uma bebida fermentada que vem desempenhando papel central na vida e na cultura japonesa nos últimos 2000 anos. Feita principalmente de arroz e fabricada a partir da utilização de fungos específicos (microorganismo chamado Koji, em japonês) e leveduras, possui teor alcoólico de aproximadamente 16%. Suas diversas variações podem ser apreciadas mornas ou frias, dependendo da época do ano.

O termo saquê, de acordo com os registros, era chamado pelos japoneses como sakaemizu [栄え水] (água da prosperidade). Com o passar dos anos, sakaemizu passou a ser chamado de Sakae [栄え] e posteriormente, sake/saquê.

A técnica primária da produção de saquê, chamada de kutikami [口噛み] consistia na sacarificação – a conversão do amido em açúcar – produzida a partir da enzima salivar das mulheres, que mastigavam os grãos de arroz aquecidos e depois os cuspiam em tachos, para só então iniciar o preparo da bebida. Este processo era restrito apenas às jovens virgens, pois acreditava-se que o saquê provinha da mulher pura, a representante dos deuses na terra.

Segundo famosa mitologia da cidade de Izumo (província de Tottori) chamada Yashiori no Sake [八入折の酒], existia uma serpente gigantesca de oito cabeças, Yamata no Orochi [八岐大蛇]. Todo ano ela vinha devorar uma das oito filhas de um casal de velhos. O deus Susanowo no Mikoto [須佐之男命] ao chegar ao reino de Izumo encontra o casal chorando porque o monstro viria buscar sua última filha. Susanowo se encanta com a moça e decide eliminar o monstro. Entraram em acordo e o guerreiro divino se disfarçou de camponês e aguardou o dia do sacrifício. Quando a serpente apareceu, Susanowo no Mikoto ofereceu 8 barris de saquê e um néctar como aperitivo. A serpente mergulhou as 8 cabeças nos barris, bebeu tudo e adormeceu embriagada no local. No mesmo instante, o deus tira o disfarce, identifica-se como Susanowo no Mikoto e corta todas as cabeças.

Beber saquê é um ritual milenar no país. Existem diversas razões além do paladar, sede ou disposição de se embriagar, para se apreciar a bebida. Tradicionalmente o saquê elimina as preocupações e prolonga a vida das pessoas. Costumeiramente a bebida é bastante consumida em grandes celebrações como no Ano Novo e nos casamentos xintoístas.

Fontes:
http://www.japansake.or.jp/sake/index.html
http://www.kwa.jp/mm/mbn_1/106.html
http://www.esake.com/Knowledge/Newsletter/SW/SW2005/sw2005_9.html
http://www.sempuku.co.jp/odoroki/kenkyu/nan-reki/index.html
http://www.e-sake.to/fukusima/rekisi.htm


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