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abr 10 2008

Wagashi (和菓子) | Doces Tradicionais Japoneses

Publicado por em gastronomia

http://endoru.wordpress.com/2008/01/14/japans-symbol-of-natural-beauty-wagashi/

Wagashi (和菓子) é um termo geral utilizado para se referir aos doces típicos japoneses.

Na antiguidade, os doces conhecidos pelos japoneses eram basicamente os frutos. Com o cultivo de vários tipos de cereais, surgiu o moti (もち), bolinhos de arroz, e o dango (団子), mistura de cereal e água assado em forma de bolinhos.

No século IX, foram introduzidas técnicas chinesas de produção de doces. Eram, em sua maioria, fritos e feitos a partir das farinhas de cereais. Tais doces eram chamados de karagashi (唐菓子), doces da dinastia Tang, e eram servidos nas oferendas aos Deuses.

No século XVI, quando os portugueses desembarcaram no Japão, trouxeram pão-de-ló, biscoitos e confeitos. Assim, o karagashi e os doces portugueses influenciaram na técnica de preparo do wagashi, que com o aperfeiçoamento, popularizou-se Japão afora.

A arte de confeitos, wagashi, possui uma simplicidade tradicional, tendo a sua aparência muito artística e criativa que lembra as artes de origami (折り紙), dobradura de papel, e a beleza dos kingyos (金魚), peixe dourado japonês. Wagashi é considerado um dos símbolos da beleza nipônica, um representante da delicadeza e alta qualidade da culinária japonesa.

O Wagashi está sempre presente nas cerimônias tradicionais do Japão, como no oshougatsu (お正月) ano novo, hinamatsuri (ひな祭り) – dia das meninas, tango no sekku (端午の節句) - dia das crianças, tsukimi (月見) – dia de apreciação da Lua e principalmente em ochakai (お茶会) – cerimônia do chá.

Diferentemente da maioria dos doces do mundo inteiro, wagashi é extremamente saudável, pois é feito, principalmente, com ingredientes naturais: leguminosas (feijão azuki, soja), grãos (arroz para mochi, farinha de arroz, trigo), batatas, sementes de gergelim e algas (kanten), são todos ricos em proteínas vegetais e contêm pouca gordura de origem animal. O principal ingrediente utilizado na fabricação dos doces é o anko:

Anko (あんこ) – geléia de feijão, comumente utilizado no wagashi é feito de feijão – azuki. Assim como outros feijões, o azuki tem alto valor nutricional, sendo uma boa fonte de proteínas, fósforo, cálcio e vitaminas do complexo B, se destacando dos outros feijões pela sua riqueza em ferro. Importante lembrar que também é rico em fibras alimentares, atuantes na melhora do trânsito intestinal, diminuição da absorção de gorduras, entre outros, cujos efeitos são considerados fatores importantes na prevenção de doenças crônicas e no controle de peso.

fontes:
http://www.wagashi.or.jp/history.htm
http://www.kitchoan.com/E/wagashi.html
http://www.kit.hi-ho.ne.jp/u2me2/motto.html
http://www.geocities.jp/wagashiraisan/

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fev 28 2008

A alma do povo japonês | Xintoísmo

jardim japonês

É a religião primitiva do Japão. Baseia-se no culto da natureza, dos antepassados e das coisas do país.

Panteísta, tudo na natureza é habitado por deuses. Há um deus da montanha, da floresta, dos rios, das pedras, dos animais etc. Idêntica idéia foi perfilhada, agora já racionalmente, no século XVII pelo filósofo Baruch de Espinosa para quem espírito e matéria eram uma só coisa.

O culto do xintoísmo é indissociável da natureza; prega a total integração, a plena aproximação física e espiritual a ela. A plenitude deste sentimento de irmanação, do casamento do corpo e alma à natureza é o objetivo máximo do xintoísmo.

Para o xintoísmo nós nascemos com duas almas: uma vem da terra e representa nosso lado consciente, rude, material, a outra vem do céu e é nosso lado brando, inconsciente, divino.

Ao morrermos nossa alma terrena se desfaz na terra e com isso nossa consciência, mas a divina torna-se novamente um deus e habitará o reino dos céus. Por isso somos todos deuses e proviemos de deuses. Há deuses domésticos, deuses de um clã, deuses do estado. Todo ser humano que tenha realizado algum feito notável é venerado como deus; venera-se seu deus celestial que realizou o feito, não o terreno.

O combate do mal com o bem, das religiões ocidentais é estranho ao xintoísmo. Bem e mal coexistem em todos os seres, animais ou humanos; nós os empregamos conforme a necessidade. O filósofo alemão Hegel ensina semelhantemente em princípios do século XIX: bem e mal são faces da mesma moeda, coexistem necessariamente na mesma pessoa; os anormais revelam-se quando há desequilíbrio entre os dois lados, constituindo um mal, mesmo as pessoas excessivamente só boas.

Não há também a noção de pecado no xintoísmo, mas a de pureza e impureza, esta sim, objeto de inúmeros gestos e rituais de purificação. São considerados impuros: o sangue, o parto, o cadáver, a doença, entre outros.

Há autores, entre eles, o japonês Hori Ichiro, que questiona a classificação do xintoísmo como religião¹. Para a concepção convencional, é estranha uma religião sem Deus, sem doutrina, sem dogma, sem mandamento, sem igreja, sem altar, sem local para culto, sem regras de moralidade, sem proselitismo, sem a noção de pecado/punição, virtude/recompensa; uma religião que não tem um objetivo final, não tem escrituras sagradas, a não ser a mitologia descrita nos textos antigos; não se ocupa da teologia, não tem hierarquia religiosa, não propõe salvação, não oferece conforto ao lado de seres celestiais pós-morte, não tem Paraíso nem Inferno, não tem livro de preces, nem rituais secretos, não prega a evangelização, não é exclusivista e seus deuses são seres como os humanos, ciumento e corajoso como Susanowo ou temperamental e sábia como Amaterasu. Não se adora nenhuma entidade superiora detentora da verdade ou do poder de distribuir recompensas, castigos ou milagres, diferentemente das religiões que monopolizam a atenção de um ser supremo e em seu nome se consideram donas da verdade única, absoluta e indiscutível. Por “amor” à esta verdade perseguem e matam os divergentes. E todos crêem, adoram e obedecem ao mesmo Deus único, dito Senhor dos Céus e da Terra, onipotente, onisciente, onipresente, altamente misericordioso e de profundo amor ao ser humano.

Para o xintoísmo é estranha a idéia de fidelidade ou infidelidade ao seu meio, por isso nunca houve na sua história perseguição de infiéis ou evangelização de povos. Também não há rituais iniciáticos como o batismo separando quem é e quem não é xintoísta. Por isso, diz-se que o xintoísmo é mais uma maneira de ver e viver a natureza e de cultuar a terra e os ancestrais do que propriamente uma religião na acepção ocidental do termo. O estudioso Yanagita Kunio afirma que “não há nos santuários xintoístas instrução doutrinária e só se aprende o xintoísmo pela convivência e pelo exemplo”.

1. Benedito Ferri de Barros – Japão Harmonia dos Contrários – ed 1988 pg 46
2. Bendito Ferri de Barros opus cit. pg. 129

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