mai 19 2008

Samurai [侍]: disciplina, lealdade e mestria nas artes marciais

Samurais

Durante 7 séculos (XII até XIX) o Japão foi governado por grandes guerreiros: os samurais [侍]. A disciplina, lealdade e a mestria nas artes marciais destacam-se como suas principais qualidades. Por muito tempo este guerreiro japonês representou o homem perfeito. “Assim como a flor de cerejeira é a flor por excelência, da mesma forma o samurai é, entre os homens, o homem por excelência”.

Os samurais surgiram durante um período conturbado da história do Japão, onde o imperador disputava o poder com os proprietários de terras e estes, por sua vez, lidavam com os impostos exorbitantes e as freqüentes invasões dos clãs rivais. O caos precisava ser contido e para isso os daimyôs (senhores feudais) começaram a montar o seu exército pessoal.

Estes guerreiros, além de excelentes cavaleiros, dominavam a arte da katana (espada japonesa) e do kyudo [弓道] (arco e flecha). Eram homens leais, resistentes, disciplinados, dignos, letais e não temiam a morte. Uma das mais importantes questões éticas abordadas no bushido [武士道] (código de conduta do samurai) dizia que o samurai não deveria temer a morte, mas sim encará-la como uma forma de renascimento. Jamais, em toda a história, fora registrado um código de ética tão exigente como o bushido.

A partir do século XIV os samurais passaram a se dedicar também a atividades culturais. Muitos inspiravam-se em um antigo ditado que dizia: “Bunburyodo”  [文武両道] (literatura e arte marcial em sintonia). O samurai Taira Tadanori [平忠度], presente no Heike monogatari [平家物語] (o conto de Heike) foi um dos que seguiu esse mandamento e ficou famoso também pelo seu talento com as palavras.

Durante o período Sengoku (também chamado de a era dos estados em guerra) os samurais viveram o auge de sua existência através das espadas de Oda Nobunaga [織田 信長], Toyotomi Hideyoshi [豊臣 秀吉] e Tokugawa Ieyasu [徳川 家康], os principais responsáveis pela reunificação do Japão. Nessa época o Japão tinha 260 daimyôs, cada um lutando pela sua participação no comando da nação.

Nobunaga ganhou notoriedade na batalha de Okehazama aos 26 anos quando liderou 3 mil samurais e derrotou 30 mil homens do clã Imagawa. Foi ele também o primeiro general a dominar as armas de fogo ocidentais. Quando já dominava toda a região central do país, foi assassinado em 1582 por um de seus principais oficiais, o general Akechi Mitsuhide [明智 光秀].

Logo em seguida, Toyotomi Hideyoshi assumiu o comando matando Mitsuhide e continuou a unificar o Japão. Além de restringir o porte de espadas somente aos samurais, Hideyoshi criou salários e transferiu-os todos para a circunvizinhança dos castelos. Em 1597, quando já dominava quase todo o território japonês, doente, deixou o controle nas mãos de 5 conselheiros. O desentendimento entre eles foi inevitável, o que deu origem a batalha de Sekihagara em 1600. Tokugawa venceu e em 1603 recebeu o título de xogum do imperador. Começou aqui o fim dos samurais.

Instaurada a ordem, Ieyasu transferiu a capital para Edo (atual Tóquio) e isolou o país do resto do mundo. Gradualmente os samurais foram se deslocando para outras áreas como contabilidade, política e  artes. Nessa época surgiram o teatro kabuki [歌舞伎], o teatro de bonecos bunraku [文楽] e a pintura ukiyoe [浮世絵].

Em 1869 o imperador Meiji, com o intuito de modernizar o Japão, contratou a assessoria militar francesa para reformar as forças armadas. Além de proibir o porte de espadas, o imperador também cortou o salário dos samurais. De repente 2 milhões de pessoas viram-se obrigados a encontrar uma outra atividade.

Entre os muitos insatisfeitos estava Takamori Saigo, do feudo de Satsuma e conselheiro do imperador Meiji. Após a sua proposta de invadir a Coréia ser indeferida, voltou para a sua terra natal e organizou um exército com 25 mil guerreiros. Em 1877 se rebelou contra o governo. Os conflitos duraram 8 meses e Takamori, já baleado no estômago, cometeu o seppuku. Em 1889 o imperador absolveu postumamente o último samurai.

Fontes:
http://en.wikipedia.org/wiki/Bushido
http://www.niten.org.br/samurai.htm
http://en.wikipedia.org/wiki/Bushido
Revista Grandes Guerras
Revista História Viva


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mar 04 2008

A alma do povo japonês | Zen Budismo

imagem: http://www.sacred-destinations.com/japan/kyoto-daitokuji.htm

Derivado do budismo, seu fim último é atingir a iluminação pessoal através da meditação. Para isso, praticam-se exercícios rigorosos, como as artes marciais, para se quebrar o trabalho da mente, eliminando assim, a barreira do consciente, o que conduz à superação da necessidade da palavra. Abole-se o significante concentrando-se apenas no significado, isto é, abandona-se a intermediação do veículo (palavras, imagens) para ficar apenas com a essência. O consciente ativo impede a meditação por estar preso à realidade obstacularizando sua integração com o todo. Ao atingir o estado de pensar sem pensar, pelo esvaziamento da mente, o homem é: está na potência máxima de sua intelectualidade.

Os monges zen foram uma das melhores castas de guerreiros do Japão. Foi um sábio monge zen, no começo do século XVIII, Tsunetomo Yamamoto, ex-samurai, quem escreveu Hagakure, obra de 11 volumes do qual se extraiu a ética do Bushidô (caminho do guerreiro).

Para o budismo zen, uma vez atingida a iluminação, o indivíduo passará a aceitar a realidade imutável dos fatos, pois que nada se modificará no mundo e tudo continuará como está.

A doutrina zen-budista não se aprende, tem de ser incorporada como sua maneira de ser.

A compreensão do mundo e de si, só se faz sendo, por isso, para alguns mestres, é inútil o ensino da doutrina: a sabedoria só pode ser alcançada pela ação, que é a expressão mais verídica de ser (verbo).

Para o budismo zen quem não é, não sabe; quem sabe não precisa falar, é naturalmente. Quem é, faz. Ser e fazer são uma só coisa, ação única, inequívoca, harmônica. Apreciar um poema ou o desabrochar de uma flor, manejar uma espada, conhecer uma pessoa, externar uma emoção, são todas exteriorizações do ser, conseqüentemente da sabedoria. A sabedoria liga-se à ação. A ação com a essência do ser, dispensando a intermediação de palavras. O pensamento está retratado nas ações, não nas palavras.

Para o budismo zen a iluminação é sempre pessoal, é reconciliação com o mundo, integração ao todo, ou antes, sentir-se o todo, pois que o todo é si próprio.


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