jun 09 2008

Ukiyo-ê: “pinturas do mundo flutuante”

http://www.ukiyoe-gallery.com/detail-d500.htm

Ukiyo-ê são imagens do cotidiano registradas no papel pelo processo da xilogravura. Nascida no período Edo, mais precisamente no século XVII e originária dos centros urbanos de Edo (atual Tóquio), Osaka e Kyoto, esta manifestação artística reforça o conceito da efemeridade da vida. Ao retratarem lutadores de sumô, gueixas, atores de teatro e paisagens, os artistas procuravam eternizar na pintura aquele fugaz  momento.

http://www.ukiyoe-gallery.com/detail-c553.htm

Inicialmente essas gravuras eram todas produzidas apenas com tinta preta e somente algumas eram coloridas com pincel. Até que no século XVIII Suzuki Harunobu desenvolveu uma técnica de impressão policromática chamada nishiki-e, onde cada cor da ilustração tinha a sua própria matriz. Esta evolução proporcionou a redução dos custos de produção e consolidou o ukiyo-ê como uma arte popular.

Antes da evolução tecnológica o ukiyo-ê era utilizado basicamente em impressões de uma página, como por exemplo posters de espetáculos da época. Depois do feito de Suzuki, esse estilo também passou a ser utilizado em cartões postais, ehon [絵本] (livros de histórias ilustrados) e calendários.

Em 1868, a Restauração Meiji abriu as portas do Japão para o resto do mundo e o ukiyo-ê foi gradativamente substituído pela fotografia. Contudo, enquanto sua popularidade caía na cultura japonesa, iniciou-se um movimento inverso chamado Japonisme. Este nome, de origem francesa, caracteriza um dos momentos no qual o ocidente, principalmente a Europa, foi influenciado pela arte japonesa. Importantes movimentos – cubismo, impressionismo e pós-impressionismo,  e artistas – Vincent Van Gogh, Claude Monet, Edgar Degas e Mary Cassat – buscaram inspiração no ukiyo-ê.

http://en.wikipedia.org/wiki/Image:Lautrec_reine_de_joie_%28poster%29_1892.jpg

No século XX, o ukiyo-ê se renovou em dois principais movimentos:

Shin hanga: manteve o processo produtivo colaborativo do ukiyo-ê tradicional no qual trabalhavam o artista, escultor e impressor. Com a adição de técnicas de pinturas ocidentais, como efeitos de luzes e expressões faciais, o objetivo deste movimento era criar um ukiyo-ê mais elitizado. Pintaram basicamente motivos tradicionais como paisagens, locais famosos, mulheres bonitas, atores kabuki, pássaros e flores.

Sosaku hanga: utilizou um processo de produção diferente no qual o artista era o único responsável por todas as etapas de desenvolvimento. Em função do método do sosaku ser mais lento, muitos artistas não conseguiam sobreviver apenas da arte e muitos acabavam fazendo ilustrações de livros e esculturas em madeira. Após muita luta contra a extinção durante a guerra, e findo o conflito em 1945, o estilo se consagrou como o verdadeiro herdeiro da tradição do ukiyo-ê.

Fontes:
http://en.wikipedia.org/wiki/Shin_hanga
http://en.wikipedia.org/wiki/Japonism
http://www.ukiyoe-gallery.com/gallery.htm
http://en.wikipedia.org/wiki/Nishiki-e
http://japao100.abril.com.br
http://en.wikipedia.org/wiki/Ukiyo-e


Use as estrelas abaixo para dar uma nota a este artigo:
1 estrela2 estrelas3 estrelas4 estrelas5 estrelas


Imprima uma versão mais simples deste artigo.
Gostou? Recomende este artigo por email. Gostou? Recomende este artigo por email.

3 comentários

jet horizontal

mai 20 2008

Ninja [忍者]

Publicado por em artes marciais,cultura,japão

ninja

Ninja [忍者] ou Shinobi era uma organização secreta marcial que habitava as províncias de Iga e Koga, no Japão. Eram conhecidos por suas habilidades de infiltração, no Japão feudal do século XIV. Forneciam serviços em troca de pagamento, e seus trabalhos envolviam espionagem, assassinato, sabotagem, dentre outros. Eram isolados e viviam uma espécie de contracultura da época, pois os locais onde habitavam eram de difícil acesso, tornando-se reduto de chineses e coreanos refugiados de guerras, bem como de antigos clãs de samurais perdedores de guerras feudais.

Isto proporcionou a estas famílias ninjas gerarem uma cultura extremamente sincrética. Ninjas eram mais especializados em infiltração (armadilhas, armas ocultas e inteligência) do que combate em campo aberto, ao contrário da crença popular.

A filosofia de vida dos ninjas era chamada de Ninpo (Ninjutsu), envolvendo a adaptação, a liberdade e a perseverança férrea como princípios basilares.

As espadas ninja, conhecidas por Ninja to, eram devidamente adaptadas às suas técnicas. Ao contrário da espada samurai, a Ninja to possuía a lâmina reta e menor do que uma Katana (espada samurai), permitindo um uso mais junto ao corpo (utilizando-se do tronco todo como força-motriz, em vez de apenas os braços, como faziam os samurais), tornando o ocultamento e transporte mais fáceis. Pórem era comum a utilização de outros tipos de equipamentos.

Além das espadas, os ninjas utilizavam também vários outros equipamentos e armas, que eram importantes recursos em suas missões. A Kawanaga, ou gancho de agarre, era muito utilizada para ultrapassar muros e similares. Algumas escolas usavam bombas de fumaça para facilitar suas fugas.

Shakens (ou shurikens), conhecidas como “estrelas ninja”, também eram muito utilizadas. O Shinobi Shozoku, ou uniforme ninja, tinha por função camuflar o ninja no ambiente, de modo a facilitar a sua “invisibilidade”. O uniforme ninja não era totalmente preto como muitas pessoas pensam, pois o preto se destaca mesmo sendo noite; os tons mais comuns eram azul marinho, marrom escuro, e outras tonalidades escuras. Os ninjas também usavam disfarces de camponeses, pescadores etc. Tudo para facilitar o trabalho como espião.

Também havia mulheres ninja, denominadas Kunochi. Elas usavam a sedução (kisha) como arma, pois além de seu treinamento normal junto com seus companheiros do sexo masculino, também recebiam treinamento especial na arte da sedução, na arte de elaboração e aplicação de venenos e usavam o Tesen (leque) com lâminas de metal, assim como as espadas. Atuavam combatendo ou seduzindo homens de alto poder político; com a sedução elas conseguiam maior facilidade em obter as informações secretas de que precisavam.

Os ninjas geralmente buscavam defender suas terras e sua família dos interesses feudais latifundiários. No entanto, alguns clãs shinobi trabalhavam como mercenários e algumas alianças com senhores feudais ocorriam, conforme os interesses políticos do momento.

O fato é que os ninjas, com a Restauração Meiji , foram integrados às forças policiais e militares do Japão e isso ocorre até hoje, não só no Japão, mas no mundo. Com isso, o Ninjutsu já é uma arte marcial espalhada pelo planeta e utilizado em larga escala pelos organismos estatais que necessitam do silêncio e da eficiência em suas operações.

O universo ninja ainda é tema constante na indústria do entretenimento japonês, sendo explorado em jogos, mangás e animes. Possivelmente, o que mais fascina nesses formidáveis guerreiros é o mistério milenar que os cercam.


Use as estrelas abaixo para dar uma nota a este artigo:
1 estrela2 estrelas3 estrelas4 estrelas5 estrelas


Imprima uma versão mais simples deste artigo.
Gostou? Recomende este artigo por email. Gostou? Recomende este artigo por email.

5 comentários

jet horizontal

Pages: 1 2 3 Next

Pages: 1 2 3 Next