A alma do povo japonês | Conseqüências políticas

A alma do povo japonês | Conseqüências políticas

150 150 Iochihiko Kaneoya

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Trazidas da China, a princípio como produtos culturais de uma sociedade altamente desenvolvida, cedo os shoguns perceberam a eficácia das doutrinas do budismo e do confucionismo como instrumento de controle dos governados.







Entretanto os monges budistas se fortaleceram excessivamente com seus exércitos particulares, o que levou o governo, após a Restauração Meiji de 1868, a extingui-los todos, mantendo apenas o Exército Imperial e a declarar o xintoísmo a religião oficial do Japão passando a estimular seu culto entre o povo, inclusive nas escolas.

A cultura milenar da crença de serem descendentes protegidos da deusa Amaterasu, fez de seu povo orgulhosos guerreiros. A ocidentalização extinguiu a classe dos samurais, mas o caldo cultural para o nascimento do militarismo estava formado.

Tal crença era corroborada por fatos anteriores: por ocasião das duas invasões mongólicas, em 1274 e 1281, sob a liderança de Kublai-Khan, neto de Genghis-Khan, um furacão soprou adernando inúmeras embarcações e o país se salvou do massacre certo. O vento passou a ser chamado de vento divino, kamikaze. No século XVI o Japão conquistara a Coréia e a China, mas retirou-se pela morte de Toyotomi Hideyoshi; em fins do século XIX venceu a China, em 1905 ganhou da Rússia tomando-lhe metade da Ilha Sakhalina e Port Arthur, devolvidas posteriormente após a derrota na Segunda Guerra.

Somente mais tarde, a Europa assistiria ao nascimento do nacionalismo, porém, menos feroz, menos aterrador do que o nacionalismo japonês.

Até a última guerra mundial, era país que nunca havia perdido uma guerra. Como não acreditar ser um povo divino?

Mencionem-se ainda as religiões ocidentais cristãs, de menor influência. Trazida por Francisco Xavier em 1549, o catolicismo foi duramente combatido por alguns shoguns que nele viam uma ameaça de conquista do país pela doutrinação do povo. A pouca popularidade deveu-se, sobretudo, pela antinomia da doutrina cristã em relação ao que se praticava no Japão.

Iochihiko Kaneoya

Formado em Direito e mestrando em cultura japonesa pela Universidade de São Paulo - USP. Pesquisador da cultura japonesa.

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2 Comentários
  • Amaterasu era uma deusa? Lembro de ter visto em algum desses animes meio mequetrefe, Amaterasu como homem…

  • Putz, anime fail.

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