Taikomochi (太鼓持) ou houkan (幇間), a versão masculina das gueixas

Taikomochi (太鼓持) ou houkan (幇間), a versão masculina das gueixas

150 150 Bruno Kaneoya

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As gueixas são famosas mundo afora. “As gueixas são como atrizes. Elas vendem aos seus clientes o sonho de uma mulher perfeita, e fazem com que eles se sintam atraentes e importantes.”, disse Rafael Burato. Mas pouco se fala sobre a versão masculina das gueixas, os chamados: taikomochi ou houkan.







Esta é uma antiga profissão que surgiu no século XII com o objetivo de entreter os daimyos por meio de danças e principalmente da cerimônia do chá. Na época, estes grandes artistas eram chamados de doboshu (companheiro). Já no século XV, passaram a ser chamados de otogishu ou hanashishu e entre as atividades oferecidas, agora destacavam-se as piadas, as conversas e as histórias.

No século XVI o Japão passou por um período de muitas guerras internas e como estes profissionais tinham facilidade de se comunicar, foram promovidos a peças estratégicas na luta pelo poder, auxiliando em espionagens e eventuais aproximações entre guerreiros. Mas as mudanças não param aí. No século XVII, com o estabelecimento do shogunato Tokugawa, a tranqüilidade foi restaurada e os doboshus passaram a entreter ricos mercantilistas em seus banquetes contando piadas, narrando contos eróticos e até estratégias de negócios. A partir de então, passaram a ser chamados de houkan (formal) ou taikomochi (usual).

Após a aparição da primeira gueixa, em uma festa no ano de 1751, iníciou-se o declínio dos taikomochi. Gradativamente eles foram perdendo espaço e tornaram-se assistentes das geikos (termo usado para gueixa na região de Kyoto). A segunda guerra mundial acelerou o processo e estima-se que hoje existam apenas 5 houkans no território japonês, 4 vivem em Tóquio e 1 em Kyoto.

Taikomochi Arai, o único profissional de Kyoto, diversificou ainda mais suas atividades e hoje dá palestras sobre a cultura japonesa no Centro Cultural Asahi, é colunista de vários periódicos e tem o seu próprio programa de rádio sobre a cultura tradicional do entretenimento japonês.

Mas taikomochi Arai, apesar de ainda ativo, pertence a uma classe tradicional. A versão moderna do houkan vai todos os dias ao cabeleireiro e é facilmente encontrada nas boates de Tóquio. Eles faturam de R$ 1.700,00 a R$ 85.000,00 por noite, são contratados por mulheres bem sucedidas para serem os seus “acessórios”. “Eu dou às mulheres o que os homens geralmente não dão: carinho. Elas nos vêem como um de seus acessórios.”, disse Yunosuke de 24 anos.

“Hoje as mulheres trabalham muito e conseqüentemente ganham muito dinheiro.”, disse Yuko Takeyama, gerente do grupo Air. Uma das clientes de Yunosuke complementa: “É um presente para mim mesma. É a mesma coisa de comprar alguma coisa ou gastar em uma viagem”.

Referências:
http://www.thekeep.org/~kunoichi/kunoichi/themestream/taikomochi.html
http://www.answers.com/topic/taikomochi?cat=entertainment
http://www.clickjapan.org/Coutumeetfete/geisha.htm
http://www.cnn.com/2008/WORLD/asiapcf/04/07/japan.geishas/index.html
http://www.mitene.or.jp/~houkan/2002/e15.html

Bruno Kaneoya

Bruno Kaneoya, designer e sansei (neto de japoneses). "Como designer, é imprescindível compreender a maneira como a sociedade funciona, se comporta e se transforma, por isso escrevo sobre este assunto no NIPOCULTURA."

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